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blog Pausa Dramática

Sustentabilidade no carrinho de mercado

10 de mar. de 2010

Você pode separar o lixo, economizar luz e água e usar os dois lados da folha de papel. Agora o convidamos para dar um passo além, dentro do supermercado. Como consumidores, temos uma ferramenta poderosa em favor do meio ambiente: o direito de escolha. Em meio às gôndolas abarrotadas de marcas, o consumidor é quem dita as regras e pode optar por um produto qualquer, ou outro que tenha destaque por sua responsabilidade sócio-am biental. Sim, eles existem em quase todos os segmentos. As grandes redes de supermercados já estão cientes de que há um público crescente que sabe diferenciar produtos e empresas que realmente contribuem com o bem-estar do planeta.

“No início todos os produtos vão parecer iguais”, afirma Ricardo Oliani, coordenador de mobilização comunitária do Instituo Akatu (organização que divulga o consumo consciente).

Mais simplicidade - O professor Arnaldo Carlos Muller orienta a evitar embalagens rebuscadas e desnecessárias. “A garrafa de vinho não precisa vir em uma embalagem de papel”, exemplifica. O material usado na embalagem também é importante:“Um produto sustentável certamente não é aquele cujo envoltório seja eterno, que permanece gerando vários tipos de impactos ambientais por longo tempo, ou cuja decomposição gera a degradação do local onde foi lançado.”

Então, para fazer a escolha certa, o jeito é investir alguns minutos na observação de rótulos e embalagens. “Quan do compramos um remédio lemos a bula toda, as contraindicações, se vai fazer mal... Essa investigação também é importante quando se compra um produto”, compara. Data de validade, componentes, certificações, cumprimento da legislação e participação em programas ambientais e sociais são informações decisivas na hora do produto deixar, ou não, a prateleira. Mesmo que nem todas essas informações acompanhem o produto, Oliani afirma que o consumidor deve buscá-las. “Toda empresa tem um SAC (Serviço de Atendimento ao Consu midor) e as informações também são disseminadas por meios eletrônicos. Cada vez mais as empresas vão divulgar as características sustentáveis de seus produtos, então vai ficando mais fácil para o consumidor optar”, diz.

Bom exemplo - Graça (acima) e o marido Daniel Buehler mudaram-se para o Brasil depois de 20 anos na Suíça. De lá trouxeram as sacolinhas retornáveis e hábitos que ainda precisamos aprender por aqui, como o de ter uma lixeira com divisões para saquinhos coloridos, específicos para cada tipo de lixo. “Eu separo tudo e faço a minha parte. Não temos filhos, mas não quero que os filhos dos meus amigos sofram depois com o lixo que produzo hoje”, diz Graça

Ecológico? Por quê?

Diversas pesquisas confirmam que as pessoas estão dispostas a pagar mais caro por um produto se souberem que ele foi produzido de forma ambientalmente responsável. De fato, para se chegar a um produto com essa característica é necessário investimento em tecnologia e adaptações na cadeia de produção. Mas é preciso cautela: nem tudo que se diz ecológico pode realmente ser chamado assim.

“A sustentabilidade já entrou para o dicionário das pessoas, agora vivemos um segundo momento, e todos querem dizer que são ecológicos. Para sair dessa armadilha, o consumidor pre cisa mudar seu comportamento e se interessar pelo que compra. Por outro lado, as em presas precisam se comunicar melhor e os parâmetros também precisam ser mais claros para que não haja confusão na cabeça do consumidor”, diz Oliani.

Entre o fabricante e o consumidor

Nosso principal cenário de consumo é o supermercado. Ele se tornou imprescindível para quem quer ter uma vida mais sustentável se imaginarmos que podemos ficar meses sem adquirir uma camiseta, mas dificilmente ficamos sem comprar leite, feijão, arroz, produtos de higiene...

Uma das ações de redes como Pão de Açúcar e Festval é a instalação do caixa verde ou caixa ecológico. Visitamos uma das lojas mas, infelizmente, não são todos os clientes que estão familiarizados com a “novidade”, que já tem quatro anos.

“É pela cor?”, nos perguntou um. “Deve ser só marketing!”, desconfiou outro. E você, sabe o que é um caixa ecológico? Va mos deixar a funcionária pública Re gina Maria Fontoura Oli veira, 41 anos, explicar: “Todas as em ba lagens que não precisamos levar para casa descartamos em lixeiras, e elas são doadas. Podem ser caixinha de pasta de dente, caixa que embala junto o xampu e o condicionador e embalagens de bolacha que vêm no plástico e na caixa de papelão.” Regina não se surpreende por saber que, antes dela, dez clientes passaram pelo caixa ser saber do serviço de coleta de embalagens. “Eu conheço porque sou curiosa. Fora isso, se eu não fizer, meus filhos me cobram. Vale a pena usar esse caixa, com isso diminuímos o lixo em casa. Eles deveriam colocar o serviço em todos os caixas, assim as pessoas iam se acostumar”, diz Regina.

Mas, para haver expansão, é preciso adesão, como explica o professor de mestrado de Ges tão Ambiental da Universidade Positivo Klaus Dieter Sautter. “As pessoas precisam dar ênfase e preferência a pontos de venda que têm ações e produtos sustentáveis, por isso diminui o impacto global do consumo. O consumidor tem tudo nas mãos, se disser: ‘A partir de amanhã tal produto tem de ser assim ou não compramos mais’. As empresas terão de ouvir”, afirma.

Alguns supermercados também estão atentos ao pós-consumo. Redes como Angeloni, Wal mart e o próprio Pão de Açúcar encaminham para a reciclagem o lixo deixado pelos clientes, além de contarem com diversas ações para reduzir o consumo de energia elétrica, valorizar programas sociais ou ambientais – próprios ou de fornecedores –, ou aproveitar inteiramente a água da chuva, por exemplo.

Você conhece as ações promovidas pelo supermercado que frequenta? Consulte, cobre e usufrua, e mostre que o consumo sustentável é algo pelo qual vale a pena lutar.

Novidade na prateleira

A união entre a rede Walmart Brasil e nove de seus principais fornecedores resultou no projeto “Sustentabilidade de Ponta a Ponta”, com produtos mais sustentáveis à venda, primeiro na Rede Walmart (Walmart, Big, Sam’s Club e Mercadorama) e em outros supermercados a partir do mês que vem.

A ideia é agregar à produção de um produto de marca conhecida pelo público conceitos sustentáveis, que vão da redução ou alteração do tipo de embalagem e matéria-prima empregada, à redução do consumo de energia, de água e dos resíduos sólidos gerados. Além do suporte e consultoria técnica, o Walmart oferece aos parceiros a garantia de compra, visibilidade e exposição diferenciada dos produtos.

* * * * * *

Sustentabilidade de Ponta a Ponta

Pelo programa “Sustentabilidade de Ponta a Ponta” do Walmart Brasil, nove produtos chegaram às prateleiras depiis e um banho de sustentabilidade. Confira as mudanças em cada um:

Esponja de banho Curauá –Este projeto teve como base o desenvolvimento de um produto novo focando o uso de fontes renováveis (fibras naturais) e fibra sintética (fonte fóssil) reciclada, bem como a redução de massa do sistema de embalagem e a otimização no uso de energia. Em comparação a uma espoja de banho regular, a de curauá apresentou as seguintes vantagens:

- 44% menos matéria-prima consumida na produção das embalagens do produto e das caixas de transporte;

- 32% de redução na geração de resíduos sólidos, devido ao desenho inovador da esponja que permite um melhor aproveitamento da manta de fibra;

- 52% de redução no consumo de energia elétrica no processo industrial;

- Simplificação do material de embalagem para facilitar o processo de reciclagem;

- 42% de incorporação de matéria-prima de fonte renovável (fibra de curauá e cordão de algodão);

- 198% de aumento no uso de material reciclado com adição de fibras PET e caixa de papelão, ambas 100% recicladas;

- Uso de matéria-prima certificada pelo FSC - Conselho Brasileiro de Manejo Florestal, para produção das caixas de papelão para transporte dos produtos.

Óleo Liza - Este projeto teve como base melhorias nos processos produtivos com destaque para a redução de peso na embalagem primária de PET e os benefícios oriundos da implantação de uma nova planta industrial mais eficiente. Os ganhos ambientais alcançados pelo projeto foram:

- Redução de 26% no consumo de água;

- 18% de redução no consumo de energia elétrica na produção das garrafas plásticas;

- 35% de redução na quilometragem rodada por caminhões para o transporte de produtos até os centros de distribuição do Walmart Brasil por meio da otimização de viagens;

- Redução de 56% no consumo de combustíveis fósseis por meio da troca de parte da matriz energética de petróleo para biomassa de origem controlada;

- Uso de matéria-prima certificada pelo FSC -Conselho Brasileiro de Manejo Florestal e Cerflor - Programa Brasileiro de Certificação Florestal, na produção das caixas de papelão dos produtos finais;

- Redução de 10% na quantidade de matéria-prima plástica necessária para a produção das embalagens do produto;

- Redução total de 40% nas emissões de gases de efeito estufa.

Pinho Sol - A linha Pinho Sol foi revista em relação aos impactos de sua produção dentro das unidades industriais da Colgate e fora de seus portões, com melhor conhecimento dos processos que garantem as matérias primas necessárias aos produtos. Os benefícios alcançados foram:

- redução de 17% do consumo de material plástico na embalagem do produto;

- embalagens com material PET 100% reciclado, sendo 90% pós-consumo e 10% pré-consumo;

- Redução de 15% da gramatura da tampa com a retirada do selo de vedação, facilitando também o processo de reciclagem;

- utilização de 45% de papelão reciclado pós-consumo para a produção das caixas de transporte resultando em uma economia 416 toneladas de matéria-prima virgem por ano;

- reuso de 3% de água no processo produtivo;

- redução de 6% no consumo de energia para o processo produtivo;

- 100% de utilização de papel certificado pelo FSC - Conselho Brasileiro de Manejo Florestal, para a produção dos rótulos do produto;

- utilização de essências de fornecedores certificados de acordo com a norma NBR ISO 14.001.

Matte Leão Orgânico - Este projeto teve como base o desenvolvimento de um produto orgânico certificado, bem como a implantação de uma fábrica verde, uso de material reciclado e redução da quantidade de tinta de impressão na embalagem. Resultados:

-uso de 100% de erva mate orgânica certificada pela Ecocert e pelo IBD - Instituto Biodinâmico, atestando a não utilização de fertilizantes químicos ou pesticidas no seu cultivo;

-uso de material 100% reciclado na embalagem do produto, sendo 30% reciclado pós-consumo;

-redução da emissão de CO2 no transporte da erva mate pelo uso de 10% de biodiesel;

-redução de 90% na quantidade de tinta de impressão na embalagem do produto;

-93% de redução na emissão de compostos orgânicos voláteis com o uso de tinta de impressão de baixo COV;

-comunicação na embalagem sobre o aproveitamento do resíduo do chá como adubo orgânico;

-comunicação na embalagem sobre o ciclo de vida do produto, desde a sua produção até chegar ao consumidor final;

-redução de 23% no consumo de energia no processo de produção;

-redução de 36% no consumo de água no processo produtivo;

-utilização de caixas de transportes feitas com matéria-prima certificada pelo FSC - Conselho Brasileiro de Manejo Florestal.

Band-Aid - Este projeto de melhoria teve como princípio o desenvolvimento de uma embalagem primária de menor volume para acondicionar a mesma quantidade de band-aids com benefícios como redução na quantidade de material de embalagem, otimização do processo produtivo e do transporte do produto.

- redução de 18% no uso de matérias-primas para a embalagem;

- utilização de 30% de matéria-prima reciclada pós-consumo na embalagem do produto, representando uma economia de mais de 32 milhões de embalagens que utilizariam matéria-prima virgem para sua produção;

- utilização de 40% de matéria-prima reciclada pós-consumo na caixa de transporte do produto, representando um ganho equivalente a 1,8 milhões de caixas de papelão para transporte;

- redução de 2.038 toneladas por ano de material em perdas no processo de produção;

- redução de 1.192.000 kWh por ano de energia no processo de produção;

- reciclagem de 50 toneladas por ano de resíduos de papel siliconado que deixaram de ser encaminhados para aterros industriais;

- redução de 11.600 km em transporte de containers de produtos no Brasil e América Latina devido a redução da embalagem;

- redução do transporte de 3.228 paletes e de 72 contêineres por ano para o transporte de produtos para os Estados Unidos e Canadá devido a redução da embalagem;

- redução das emissões de CO2 devido ao menor uso de energia no processo e transporte;

- redução das emissões de CO2 devido à menor quantidade de resíduo de celulose no pós-consumo pela degradando nos aterros.

Amaciante Confort Concentrado- Este projeto de melhoria teve como foco as campanhas de educação ambiental para comunicação aos consumidores do conceito de produto concentrado e as melhorias ambientais decorrentes da concentração do produto como a utilização de menor quantidade de recursos naturais e conseqüentemente, a redução das emissões de gases de efeito estufa e da geração de resíduos. O projeto desenvolvido pela Unilever alcançou os seguintes resultados:

- 63% de redução do consumo de papel na caixa de papelão utilizada no transporte e distribuição do produto;

- 37% de redução do consumo de plástico para a produção da embalagem;

- redução no consumo de energia para produção e transporte de produto;

- redução no uso de água na formulação do produto;

- 37% de redução da quantidade de resíduo sólido no pós-consumo.

Água Pureza Vital –O projeto teve como objetivo melhorias nos processos produtivos com foco na redução de massa nas embalagens primárias e secundárias, com benefícios como redução na quantidade de material da embalagem e otimização no uso de água e energia nos processos produtivos. Foram alcançados os seguintes resultados durante o projeto:

- Redução do consumo de material plástico utilizado nas garrafas de água sem gás sendo: 36% de redução na massa das tampas das garrafas; 25% de redução nas garrafas de 300ml, 3% nas garrafas de 510 ml e 1,5 litros;

- Redução do consumo de material plástico utilizado nas garrafas de água com gás, sendo 25% de redução na massa das tampas das garrafas; 25% de redução nas garrafas de 300 ml; 22% de redução nas garrafas de 510 ml; e 19% na redução das garrafas de 1,5 litros;

- Eliminação de pigmentos das tampas, facilitando a reciclagem e agregando valor na cadeia do pós-consumo;

- Redução no consumo de água, de 26% em São Lourenço e 51% em Petrópolis;

- Redução de consumo de energia, de 9% em São Lourenço;

- Garrafas de Pureza Vital e Petrópolis sem pigmento, facilitando a reciclagem e agregando valor na cadeia pós-consumo;

- Redução de 18% no consumo de material plástico shrink na embalagem;

-Redução de 25% na massa de papelão utilizada na paletização;

-Redução no filme plástico (stretch filme) que envolve os paletes em 31%;

- Rótulo mais fácil de ser removido no pós-consumo, facilitando sua reciclagem;

- Uso do braile nas garrafas para que possam ser identificadas por consumidores com necessidades especiais;

- Capacitação de 70 educadores da rede escolar de São Lourenço que multiplicaram conceitos de educação ambiental.

Toddy Orgânico - O desenvolvimento do Toddy orgânico demandou um amplo estudo da cadeia de valor do produto, que resultou em benefícios que foram além do próprio dele próprio, gerando impactos positivos desde sua produção até o descarte final da embalagem. Os resultados alcançados pelo projeto foram:

- Utilização de 100% de cacau e açúcar orgânicos certificados;

- Uso de material 100% reciclado para a produção de rótulos (75% a 80% pré-consumo e 25% a 30% pós-consumo);

- Uso de matéria-prima certificada pelo FSC - Conselho Brasileiro de Manejo Florestal, para produção do rótulo do produto;

- Menor emissão de gases de efeito estufa;

- Eliminação do uso de queimadas para colheita da cana-de-açúcar utilizada para produção de Toddy Orgânico;

Pampers Total Confort -Este projeto de melhoria teve como base o desenvolvimento de uma fralda com maior capacidade de absorção que utiliza menor quantidade de celulose e que também permite a maior compactação das fraldas nos pacotes com benefícios como redução na quantidade de material de embalagem e otimização do transporte do produto. O projeto alcançou os seguintes resultados:

- Redução de 30% no uso de polpa de celulose;

- Redução de 7,5% no volume pela compactação da embalagem e do produto;

- Redução de 7% no peso total da fralda resultando em menor geração de resíduos pós-consumo;

- Aumento de 25% na eficiência do transporte do produto por sua compactação;

- Redução de 09% no consumo de energia utilizada na produção do produto;

- 10% de redução das emissões de CO2 (devido ao menor uso de energia no processo e transporte).

Fonte: Gazeta do Povo

De papel passado em cartório

9 de mar. de 2010

Apesar de o casamento gay não estar na lei, casais homossexuais recorrem à escritura de união estável para oficializar a relação
 
Em busca da oportunidade: Eden e Everton: novos projetos profissionais com a inclusão do parceiro no plano de saúde

O casamento entre pessoas do mesmo sexo não é permitido no Brasil. Pelo menos não com esse nome. Na prática, casais homossexuais que vivem juntos podem ter sua condição reconhecida sob o ponto de vista legal. Muitos cartórios do país já aceitam o registro, por parte de casais homossexuais, de um documento chamado escritura de união estável. Usado originalmente para casais heterossexuais que querem legalizar uma vida em comum mas não desejam um casamento formal, o documento permite que eles compartilhem patrimônios e benefícios, como plano de saúde e seguro de vida. Não há estatísticas sobre o número de escrituras de união estável celebradas entre homossexuais no Brasil, mas apenas um cartório de São Paulo, o 26º tabelionato, registrou no ano passado 202 delas – quatro a menos do que as escrituras lavradas para casais formados por homens e mulheres.


O fator afetivo: Carla e Carolina: "Queríamos muito compartilhar nossa felicidade com os amigos e a família"
 
Esse recurso começou a ser utilizado por volta de dez anos atrás, primeiramente em uns poucos cartórios de São Paulo. Em 2003, como ainda era difícil encontrar cartórios que aceitassem fazer a escritura de união estável, a Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo criou um documento alternativo, chamado de declaração de convivência homoafetiva. Em lugar de ser feito pelo escrivão, ele é apenas registrado em cartório. A entidade registrou a união de 240 casais gays, muitos deles vindos de outros estados. Os termos dos dois documentos são similares, mas a escritura de união estável tem a vantagem de ser amparada pela Constituição e pelo Código Civil, ainda que a união entre homossexuais não esteja prevista em nenhum deles.
 
Cabe a cada tabelião decidir se aceita ou não elaborar o documento de união entre gays. Muitos se recusam a fazê-lo, alegando que vai contra os bons costumes. É possível que um juiz, ao avaliar um pedido de separação do casal ou questões relativas a direitos sucessórios, se recuse a reconhecer a validade da escritura de união estável assinada por gays e lésbicas. "Se o documento assinado pelas duas partes não ferir as leis do país, é pouco provável que ele seja invalidado por algum juiz", explica o advogado carioca Marcos Campuzano. Um exemplo de ação contrária às leis seria colocar na escritura a guarda de um filho sob responsabilidade do parceiro. Diz a legislação que, na ausência dos pais, a guarda de uma criança deve ser entregue preferencialmente à família biológica.


Antes de descobrirem a escritura de união estável, os casais homossexuais recorriam a contratos escritos com a ajuda de advogados para garantir o compartilhamento do patrimônio comum. Embora a atual escritura seja bastante parecida com os antigos contratos, advogados e juízes asseguram que a união estável tem maior credibilidade legal. "Na prática, a diferença entre a escritura de união estável e a certidão de casamento é desprezível", afirma a advogada Sylvia Mendonça do Amaral, especializada em assuntos homoafetivos. Para muitos homossexuais, o reconhecimento legal de uma união estável é também significativo do ponto de vista afetivo. "É preciso entender que os gays e as lésbicas não querem entrar na igreja e fazer cerimônia, ainda que esse devesse ser um direito nosso. Antes disso, buscamos o direito de poder falar pelo nosso companheiro", diz Alexandre Santos, presidente da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo.
 
No ano passado, o paulistano Everton Schultz Ramos, relações-públicas de 32 anos, decidiu trocar de emprego. Para isso, precisava ter certeza de que seu parceiro, o engenheiro Eden Lira Branco, de 30 anos, teria capacidade financeira para manter o casal. "Já pensávamos em morar juntos e dividir as contas. O fato de colocá-lo como dependente do meu plano de saúde foi determinante para isso", afirma Eden. "Conhecemos vários casais que, em situações parecidas com a nossa, não puderam compartilhar o plano de saúde porque não haviam assinado a escritura", diz Everton. Muitos casais homossexuais aproveitam a união no papel para celebrá-la como se fosse um casamento. A paulistana Carla Uua, de 32 anos, uniu-se à parceira Carolina Passos, de 23 anos, em agosto do ano passado. Dois meses depois, elas convidaram os amigos para uma celebração num bufê. "Queríamos muito compartilhar nossa felicidade com os amigos e a família", diz Carla. "Fizemos tudo como manda o figurino, só não dividimos o mesmo sobrenome", ela completa.

Reportagem original: Revista Veja

Intervenções necessárias - entrevista com Tom Lisboa

8 de mar. de 2010

Às vezes, é preciso somente um olhar mais atento para descobrir a cidade como cenário para obras de arte. Na tentativa de ler e redimensionar esse espaço, as intervenções urbanas do artista visual Tom Lisboa exigem rigorosamente a participação do espectador, que compartilha o campo da obra e a desvenda a partir de múltiplas perspectivas.

Sempre em sintonia com as suas diversas áreas de atuação, Tom Lisboa cria intervenções urbanas que exigem a participação do espectador.

A ação performática do artista está em sintonia com as suas diversas áreas de atuação: ele tem projetos em fotografia, pintura e videoarte e é professor e pesquisador de cinema. Na área audiovisual, Tom ainda é o criador do principal cineclube da cidade, o Contramão.

Todo um novo circuito - independente das necessidades funcionais da cidade - é criado pelas intervenções, que redimensionam a percepção e a experiência deste território urbano. Com uma ocupação poética dos espaços, o seu trabalho é fortemente influenciado pelo cinema, como é o caso das obras Blow up - baseada no filme homônimo de Michelangelo Antonioni - e Mirando(a), inspirada em Miranda July e seu filme Eu, você e todos nós.
 
Em entrevista ao O Estado do Paraná, Tom Lisboa fala sobre o processo para criar uma obra que dialoga com os espaços urbanos e redesenham o mapa da cidade.


O Estado: Qual o papel das intervenções urbanas na arte contemporânea?
As intervenções urbanas concretizaram algo que a arte contemporânea "de museu ou galeria" buscava há um bom tempo: ir ao encontro do grande público, muitas vezes não iniciado no circuito artístico mais elitizado. Outro fator que chama a atenção é sua liberdade criativa. Como este tipo de manifestação é, na maioria dos casos, espontânea e produzida à margem dos interesses de mercado, os artistas podem investir mais na experimentação e ousadia de seus trabalhos. Não é à toa que as instituições oficiais estão cada vez mais interessadas em incluir esta "arte marginal" em seu acervo.

O Estado: Quais são as principais questões conceituais aplicadas em trabalhos de intervenção urbana?
Eu procuro explorar a questão da representação, um conceito que é tanto da arte quanto da própria cidade. A cidade, independente de seu tamanho, é uma intervenção legitimada. O espaço urbano é a concretização de uma ideia que, entre outras coisas, estratifica os indivíduos socialmente, interfere em nossos percursos, desperta reações emocionais e provoca nosso olhar. A cidade e a arte tem em comum esta vocação criadora e transformadora.

O Estado: O que te motiva a criar uma obra de intervenção?
Quase todas as minhas intervenções necessitam de uma postura ativa do espectador. Eu preciso que ele interaja com minha obra para que o resultado "apareça". Particularmente, eu gosto de incentivar este jogo entre o autor e o espectador. Talvez, por isso, eu idealize intervenções que são, em certa medida, lúdicas tanto na forma quanto no conteúdo. Intervenção para mim é um jogo que deve ser agradável e que, ao mesmo tempo, estimule a percepção e a sensibilidade do público.

O Estado: De que maneira as outras artes interferem e se relacionam com suas intervenções?
No meu processo criativo eu procuro valorizar a diversidade das minhas referências. Neste sentido, estou sempre renovando meu repertório em várias áreas, tais como literatura, cinema, música, fotografia, design, moda e televisão. No final, algumas influências acabam sendo mais importantes que outras, mas tudo depende do projeto. Por exemplo: eu ter assistido ao desfile das roupas de papel do Jum Nakao foi fundamental para eu criar as Polaroides (in)visíveis e o filme Eu você e todos nós, da diretora Miranda July, foi o ponto de partida para a intervenção Mirando(a).

O Estado: Como as intervenções são influenciadas - ou influenciam - a relação das pessoas com os grandes centros urbanos?
Entre os vários significados da palavra intervir encontramos o termo surpreender. A intervenção "toma de assalto" o transeunte e propõe que ele veja algo de modo distinto, que preste atenção ao que está ao redor. Esta talvez seja a maior influência: ampliar nossa sensibilidade perceptiva. Uma frase do Marcel Proust explica muito bem esta situação: "Talvez a imobilidade das coisas ao nosso redor lhes seja imposta pela certeza de que tais coisas são elas mesmas e não outras, pela imobilidade do nosso pensamento em relação a elas". Não existe nada estático ou imutável. Tudo pode ser recriado apenas pela maneira como percebemos as coisas.

O Estado: Quais são as particularidades de um trabalho que ocupa um espaço público se comparado às obras que estão em espaços institucionais?
Uma das coisas que aprendi com as intervenções urbanas é o desapego à obra. Uma vez colocada na cidade, você perde o controle sobre sua criação. E é muito bom poder exercitar este sentimento. Por isso minhas obras são facilmente removíveis. Meu desejo é que as pessoas possam colecionar estes trabalhos, levá-los para casa, se assim desejarem. Para minha surpresa, eu volta e meia descubro, acidentalmente, que isto tem acontecido de fato.

O Estado: Quais são os seus próximos projetos?
Estou lançando agora em março mais um projeto de mobilização criativa chamado Caractere(s): Retratos em preto e branco. Nestes últimos três anos quase 400 pessoas participaram destas mobilizações. Eu chamo mobilização criativa porque o público participa ativamente da criação das obras que vão ser expostas em algum espaço, que pode ser na internet, na rua ou em uma galeria. Além disso, vou dar continuidade a outros trabalhos coletivos como a ação urbana Lugar (que já foi feita por 50 pessoas, em 18 cidades, de 5 países), os desenhos dos fios de Curto Circuito e expandir a intervenção Polaroides (in)visíveis para o interior do Paraná.

Serviço
Quem quiser se informar sobre os trabalhos de Tom Lisboa pode visitar sua página pessoal no endereço www.sinTOMnizado.com.br/tomlisboa.

Veja reportagem original aqui.

Mulheres do cinema

7 de mar. de 2010

Elas podem ser românticas, femininas, delicadas. Mas isso não impede que as mulheres que povoam o nosso imaginário vindas das telas de cinema também sejam ativas, fortes e independentes

ANNALICE DEL VECCHIO
 
Quando se pensa em pa péis femininos no cinema é mais fácil vir à mente a dócil, bela e platinada Marilyn Monroe em comédias clássicas como Quanto Mais Quente Melhor do que a vigorosa e temperamental Bette Davis de filmes como A Malvada. 


Também se enfileiram na memória os sem-número de mocinhas das comédias românticas em que “o único objetivo das personagens é se casar, mesmo que em princípio elas só pensem na carreira”, como bem define Mariane Morisawa, crítica de cinema e editora de variedades da Revista Marie Claire.
 
Mas, felizmente, à medida que as mulheres conquistam mais espaço fora das telonas, cresce o número de filmes com papéis femininos fortes. “Não na mesma medida do avanço das mulheres. Ainda há poucas protagonistas no cinema. Em geral, essas mulheres são mães, namoradas, amigas, ainda que elas não sejam mais as mocinhas em perigo de antigamente, mesmo nos filmes de ação”, opina Mariane.


Ela vê papéis femininos mais consistentes nos seriados de televisão. Um bom exemplo é a bela e nada inofensiva Kate Austen, personagem de Evangeline Lilly no seriado Lost. “O cinema é bem mais conservador em geral e mira majoritariamente nos garotos de 12 a 18 anos de idade”, diz Mariane.

Um número maior de mulheres nas funções de diretor e roteirista não indica necessariamente mais papéis femininos destacados. “Esta é a tendência, já que o cinema sempre reflete os movimentos da sociedade. Mas diretores homens também podem ter esse olhar atento e capaz, como muitas ve zes acontece”, diz Neusa Barbosa, crítica do site Cineweb e colaboradora da Revista Bravo!.

O norte-americano John Cas savetes é um deles. “Ele criou uma galeria de mulheres inesquecíveis para sua esposa, a atriz Gena Rowlands”, lembra Neusa. Em Glória (1980), ela é uma mu lher que arrisca a própria vida para proteger uma criança de um grupo mafioso. A crítica do Cine web também cita o brasileiro Car los Reichenbach, cuja cinematografia está recheada de personagens femininas fortes. No último deles, Falsa Loura (2007), a operária vivida por Rosane Mull hol land “comete erros e sai com a cabeça erguida”, opina Morisa wa.

Forte candidata ao Oscar pela direção seu filme Guerra ao Terror, a americana Kathryn Bigelow nunca se interessou pelo universo feminino. “Guerra ao Terror é, essencialmente, um filme de e sobre homens, uma pesquisa sobre esse universo tão masculino que é a guerra”, diz a editora da Marie Claire. Incrivelmente, analisa, a milionária superprodução Avatar, dirigida pelo ex-marido da diretora, tem mais personagens femininas. “E todas fortes”, diz.

Brasileiras fortes

No cinema nacional, algumas atrizes se destacaram no passado ao interpretar mulheres de posições políticas firmes e sexualmente bem resolvidas. O melhor exemplo é a musa do cinema nacional, Helena Ignez, que viveu personagens debochadas e extravagantes (leia quadro). Hoje, musas como ela são raridade. “Não raro faltam candidatas ao prêmio de melhor atriz nos festivais”, diz Mariane.

Ela cita como interessante o papel de Glória Pires em É Proibido Fumar (que ganhou os prêmios de melhor filme e atriz do Festival de Brasília do ano passado), de Anna Muylaert. Glória interpreta umaprofessora de violão quarentona e encalhada, fumante, fã de Chico Buarque e que se apaixona pelo vizinho roqueiro. “É bem construída, foge dos estereótipos e, ao mesmo tempo, é muito real, poderia ser minha prima ou vizinha.”
 
Veja reportagem original aqui.

Guerra pela estatueta dourada

A superprodução Avatar e o independente Guerra ao Terror disputam neste domingo, em Los Angeles, o prêmio máximo do cinema

PAULO CAMARGO
 
Há um grande favorito ao Oscar 2010, que será entregue neste domingo em cerimônia a ser realizada no luxuoso Kodak Theater, em Hollywood, região metropolitana de Los Angeles. À exceção do Globo de Ouro, que deu a Avatar os prêmios de melhor filme e direção em janeiro passado, quase todas as associações de críticos nos Estados Unidos, assim como os sindicatos dos diretores, roteiristas, editores e produtores, consagraram Guerra ao Terror, de Kathryn Bigelow. Mas será que o drama bélico, longa-metragem de pequeno orçamento e lançado há quase um ano nos Estados Unidos, sem grande repercussão comercial, tem fôlego para derrubar a megaprodução de Ja mes Cameron, recordista mundial de bilheterias, com mais de US$ 2,5 bilhões acumulados em caixa?


A única forma de ter absoluta certeza de qual será o vencedor do disputado Oscar de melhor filme é aguardar a abertura do envelope, o último da noite, o que deve ocorrer perto de 2 horas da manhã, horário de Brasília.
 
Avatar e Guerra ao Terror representam, de certa forma, extremos da indústria cinematográfica norte-americana e vão brigar, estatueta a estatueta, pela soberania na noite do Oscar. O primeiro simboliza a força dos blockbusters peso pesados, que legitimam o poder hegemônico de Hollywood como indústria de entretenimento no mundo – há três meses a ficção científica de Cameron permanece, semana após semana, no topo dos títulos mais vistos no planeta.


Já o longa de Kathryn Bigelow, que retrata o cotidiano tenso de um esquadrão antibombas na ocupação norte-americana do Iraque, é símbolo de um cinema mais alternativo e autoral, capaz de se impor em meio às produções dos grandes estúdios, de caráter mais comercial. Tanto um quanto o outro receberam nove indicações ao Oscar, incluindo melhor filme e direção, e têm apenas um concorrente à altura: Bastardos Inglórios, misto de filme de guerra e fantasia de Quentin Tarantino, que vem sendo apontado nas últimas semanas como “a terceira opção” capaz de surpreender na hora H. É esperar para ver.

Vale relembrar que, em 2006, O Segredo de Brokeback Mountain, numa trajetória muito semelhante a Guerra ao Terror, era franco favorito ao Oscar de melhor filme, depois de vencer dezenas de prêmios, mas acabou perdendo na categoria principal para Crash – No Limite, de Paul Higgins. Muitos acreditam que a ousadia da história de amor entre dois caubóis gays de Ang Lee teria sido demais para a ala mais conservadora da Academia. Talvez o retrato cru da Guerra do Iraque que, em momento al gum, mostra os soldados americanos como mocinhos e sim como indivíduos atormentados, também seja considerado uma escolha excessivamente liberal. Mesmo em tempos de Barack Obama.

Outros sete longas-metragens, esses sem qualquer chance de vitória, estão entre indicados a melhor filme: Amor sem Escalas, Um Sonho Possível, Preciosa, Distrito 9, Um Homem Sério, Educação e Up – Altas Aventuras, que deve vencer o Oscar de melhor animação. É o primeiro ano que dez títulos estão na corrida de melhor filme.

Marco histórico

Se o prêmio principal tem estado no centro das especulações no Os car deste ano, a categoria de me lhor direção é menos controversa: Kathryn Bigelow, deve bater seu ex-marido, James Cameron, e se tornar a primeira mulher a vencer a estatueta. Ela e Cameron concorrem com Quentin Tarantino (Bastardos Inglórios), Lee Daniels (Preciosa) e Jason Reitman (Amor sem Escalas).

Inesperado

Uma das maiores surpresas entre os indicados foi a inclusão da ficção científica Distrito 9, do sul-africano Neill Blomkamp, que concorre em três outras categorias: roteiro adaptado, edição e efeitos visuais. Infelizmente, toda a sua originalidade não deve ser suficiente para premiá-lo. Também inesperada foi a indicação a melhor filme do misto de es porte e drama sobre racismo Um Sonho Possível, de John Lee Hancock. Mas, nesse caso, sua estrela, Sandra Bullock, pode ter se beneficiado pela indicação e consolidado seu favoritismo ao Oscar de melhor atriz. Suas concorrentes são: Meryl Streep (Julie & Julia), Carey Mulligan (Educação), Helen Mirren (The Last Station) e Gabourey Sidibe (Preciosa). Meryl, vencedora de duas estatuetas (de coadjuvante, por Kramer Vs. Kramer, e de atriz principal, por A Escolha de Sofia), também tem chances de vencer: tornou-se uma das estrelas de maior sucesso comercial nos últimos anos e muitos creem que seja hora de ela levar um terceiro Oscar.

Se a jovem Gabourey Sidibe tem poucas chances de faturar o prêmio, sua mãe cruel e abusiva em Preciosa, a comediante Mo’Ni que, é a mais cotada para receber a estatueta de melhor atriz coadjuvante. Dificilmente irá perder, apesar de ter feito questão de não entrar no circo da mídia em torno do prêmio. Ela, que venceu os principais prêmios da crítica, concorre com Penélope Cruz (Nine), Anna Kendrick e Vera Farmiga (Amor sem Escalas) e Maggie Gyllenhaal (Coração Louco).

Zebra inesperada na sua categoria, Maggie contracena em Coração Louco com o veterano Jeff Bridges, favoritíssimo a melhor ator. O astro revelado nos anos 70 por A Última Sessão de Cinema está indicado pela quinta vez ao prêmio da Academia, desta vez por seu elogiado desempenho como um cantor country decadente em busca de redenção. Sua vitória é quase certa. Seu principal concorrente é George Clooney, indicado por Amor sem Escalas. Completam a lista Morgan Freeman (Invictus), Colin Firth (Direito de Amar) e a revelação Jeremy Renner, de Guerra ao Terror.

Segundo filme com maior número de indicações, oito ao todo, Bastardos Inglórios tem grandes chances de dar o Oscar de melhor ator coadjuvante ao austríaco Christoph Waltz, já premiado no Festival de Cannes, Globo de Ouro, Bafta (o Oscar britânico) e pelo Sindicato dos Atores. Seu trabalho como o oficial nazista Hans Landa é um dos pontos altos do ótimo longa de Ta rantino e é uma das quase certezas deste ano. Com ele concorrem Stanley Tucci (Um Olhar do Paraíso), Christopher Plummer (A Última Estação), Matt Damon (Invictus) e Woody Harrelson (O Mensageiro). O único com chances de surpreender nesta categoria é o veterano Plummer, que dizem estar brilhante como o escritor russo Leon Tolstói em seus derradeiros anos de vida. A Academia adora corrigir erros do passado nessa categoria, reconhecendo atores com carreiras sólidas. E esse pode ser o caso.

Filme estrangeiro

Dois longas-metragens latino-americanos ficaram entre os cinco finalistas: o peruano A Teta Assustada, de Claudia Llosa (Urso de Ou ro no Festival de Berlim 2009), e o argentino O Segredo dos Seus Olhos, de Juan José Campanella, já indicado uma vez pelo sucesso internacional de bilheteria O Filho da Noiva. Dizem os insiders da indústria que Campanella, que hoje dirige o seriado Law and Order nos EUA, tem alguma chance de surpreender.

Completam a lista o elogiado Ajami, de Israel; O Profeta, da França, e o teoricamente favorito A Fita Branca, do alemão Michael Ha ne ke, vencedor do Globo de Ouro e da Palma de Ouro no Festival de Cannes do ano passado. Como a categoria de filme estrangeiro costuma reservar surpresas de última hora, qualquer um dos cinco longas pode sair hoje premiado da festa, que será apresentada por Steve Martin e Alec Baldwin.

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Fumantes têm QI mais baixo que não-fumantes

4 de mar. de 2010

Jovens que fumam um maço de cigarros têm 7,5 pontos a menos de QI, diz estudo



Tabagistas têm menor índice de QI (quociente de inteligência) do que os que não fumam. E quanto mais cigarros fumados, menor é o QI do fumante. É o que mostra um estudo feito com mais de 20 mil recrutas militares israelenses. A pesquisa, realizada no Sheba Medical Center, em Israel, concluiu que homens jovens que fumam um maço de cigarros ou mais por dia têm 7,5 pontos a menos de QI do que aqueles que não fumam.

Entre os participantes da pesquisa, todos eles com 18 anos, 28% fumavam ao menos um cigarro por dia, 3% são ex-fumantes e 68% nunca colocaram um cigarro na boca. O estudo mostrou que a média do QI dos não-fumantes é de 101 pontos, enquanto os fumantes desde antes do serviço militar têm média de 94. O índice fica mais baixo conforme aumenta o número de cigarros fumados por dia; é de 98 pontos para aqueles que fumam entre um e cinco cigarros e 90 para aqueles que fumam mais que um maço. Quocientes entre 84 e 116 são considerados como inteligência mediana. A pesquisa não incluiu nenhum participante com desordem psiquiátrica, pois são dispensados do serviço militar.

Para os pesquisadores, os jovens tabagistas têm resultados de inteligência significativamente baixos, se comparados àqueles não-fumantes. A informação mostrou-se confiável, mesmo quando os estudiosos comparavam apenas aqueles com o mesmo nível sócio-econômico e de escolaridade.

Os militares não estavam autorizados a fumarem enquanto o teste era realizado, ressaltam os cientistas. É possível que os sintomas de abstinência possam influenciar nos resultados dos testes dos fumantes. Para resolver esse problema, foram analisados também os níveis de QI daqueles que fumavam a menos tempo, portanto tinham os sintomas da crise de abstinência reduzidos. Esses homens também atingiram uma nota mais baixa (97 pontos, em média). Indicando que a abstinência não é a causa da diferença.

O resultado do estudo não sugere que o fumo reduz o QI, mas sim que aqueles com índice mais baixo têm maiores chances de começar a fumar.
 
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Internet e crianças: use com moderação

A internet ganhou espaço na casa dos brasileiros, mas é importante lembrar que o seu uso deve ser consciente e o acesso de jovens e crianças, monitorado

A internet cresceu e apareceu. Ferramenta indispensável, a vida em rede disponibiliza o mundo em apenas um clique. Presente no dia a dia de mais de 44,5 milhões de brasileiros, seja em casa ou no trabalho, - segundo levantamento Ibope Nielsen Online, realizado em julho do ano passado - o tempo de conexão também tem aumentado: em média cada internauta passa 71h30 por ano em frente ao computador. O estudo apontou ainda que a maioria das pessoas - 27,5 milhões - tem acesso à rede de casa.

As maravilhas e as facilidades que a internet proporcionam são indiscutíveis, mas sempre é bom alertar que também há muito conteúdo impróprio, principalmente para crianças e jovens. Você sabe tudo o que os seus filhos veem na rede? ''Computador não é só diversão, pode ser subversão também. Muitos pais não sabem se posicionar com relação ao seu uso'', afirma Wagner de Paula Rodrigues, especialista em segurança da informação e professor da Unopar.

Por isso, é importante que os equipamentos não sejam instalados em quartos ou em locais que só as crianças ou os jovens têm acesso. Utilização de acessórios - como webcam ou recursos de áudio - só com supervisão clara. E é bom ficar atento: o perigo começa a rondar os pequenos desde cedo. ''A partir dos 8 anos as crianças, que até então usavam a rede de forma passiva, começam a buscar informações e já procuram os sites de relacionamentos'', diz o especialista.

Toda participação em comunidades virtuais deve ser supervisionada, uma vez que a criação de personagens fantasiosos é amplamente utilizada por pessoas mal intencionadas. ''A internet cria uma relação pessoal mais fria, o que libera as pessoas, criando riscos aos pré-adolescentes, como a exposição de suas imagens'', alerta Rodrigues. Outro ponto é que a partir dos 13 anos esse público já começa a buscar conteúdos pornográficos.

Por isso, é importante salientar que, assim como a educação o uso da internet deve ter limites. Os pais não devem proibir, pelo contrário, a utilização consciente deve ser incentivada. ''Os pais têm que entender que até mesmo uma simples pesquisa pode levar os jovens a acessar conteúdo inapropriado. Se não houver controle, teremos gerações corrompidas porque os pais não conseguirão mais segurar seus filhos. Já temos jovens com distúrbios e quebra de valores provocados pelo mau uso da internet'', salienta o especialista.

E ele se refere não apenas à questão da pornografia, mas também à ética e à cidadania, uma vez que a pirataria de conteúdos reservados é outra prática amplamente difundida. Alguns comportamentos, inclusive, já começam a repercutir no mundo corporativo. Foram identificados casos de funcionários que, em detrimento ao trabalho, passam a maior parte do tempo na internet e quando questionados preferem deixar o emprego a mudar de atitude.

Na sua avaliação, os computadores devem ter softwares que controlam conteúdos. No entanto, é preciso estar ciente de que o problema não será totalmente resolvido. ''Há ferramentas que criam limitações, mas há como burlar isso e é bom deixar claro que os jovens vão conseguir. Essas limitações ajudam, mas não educam. O uso consciente (da internet) vem do elo familiar e os pais devem estimular o seu uso adequado'', salienta.

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Pit bull: em vias de extinção?

Senado decide futuro de raças de cães consideradas perigosas. Para alguns, castração obrigatória é inconstitucional

JORGE OLAVO

O destino de todos os cães da raça pit bull no Brasil está em jogo. Um projeto de lei que será votado na próxima quarta-feira, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, em Brasília, prevê que a partir de 2011 seja proibida a reprodução desses cachorros – todos os machos deverão ser castrados. A proposta é polêmica e pode vir a ser considerada inconstitucional por provocar, no curto ou longo prazo, a extinção do pit bull no Brasil. Além disso, cães de outras 16 raças foram enquadrados como perigosos e deverão ter cuidados especiais de seus donos.

O projeto responsabiliza o proprietário do cão que causar danos a outra pessoa. Dentre as raças consideradas perigosas estão rotweiller, pastor alemão, komondor, akita e schnauzer gigante (confira a lista completa ao lado). “Agora todo cachorro virou pit bull. Coitado, o komondor é um cão pastor quietinho, nunca foi cão de guarda. O schnauzer gigante raramente é brabo”, afirma o presidente da Confederação Bra sileira de Cinofilia, Sérgio Meira Lopes de Castro. “Um vira-lata pode ser mais violento que esses. Depende da forma como são tratados”, acrescenta.
 
Os cães que constarem na lista só poderão circular em locais públicos com coleira e focinheira. Para a empresária Mara Carvalho, ex-criadora de cães, nem o pit bull é violento. “O problema são os donos. O cachorro pode ser dócil. Tudo depende da forma como você cria o animal. O cachorro é a imagem do dono”, defende.

Contudo, o medo de pit bulls existe entre a população. “Não sou favorável só à castração, sou favorável à exterminação do pit bull”, afirma o empresário Getúlio Demori, que teve uma prima morta ao ser atacada por dois cães em 2008, em Caxias do Sul (RS). “Foi uma coisa horrível. Eles pularam no pescoço dela. Tem de acabar com a raça, do contrário vão acontecer muito mais casos”, diz.

Inconstitucional

Na justificativa de seu projeto, o senador Valter Pereira (PMDB-MS) afirma que uma lei específica facilitará o trabalho do Poder Judiciário no julgamento de casos de violência protagonizados por cães de ra ças consideradas perigosas, diminuindo a impunidade dos donos. Pe reira se baseia em casos de pes soas que morreram durante ataques de pit bulls, divulgados pela mí dia, para reforçar a importância do projeto. A proposta deveria ter sido votada ontem na CCJ, mas a falta de quórum prorrogou a decisão para a próxima semana.

O doutor em Direito de Estado Fernando Gustavo Knoerr avalia que o projeto de lei beira a inconstitucionalidade. “É um atentado à vida. Há fortes traços de incostitucionalidade por todo o contexto constitucional de proteção à vida”, justifica. O especialista explica que a tutela ambiental também tem a Constituição como base. “Não pode ser legitimada qualquer lei que aja para extinguir uma raça. É uma lei que patrocina a crueldade”, afirma Knoerr. “E quem vai fis calizar isso se for aprovado? Não conhecem as raças”, questiona Castro.

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Proposta polêmica


O projeto de lei precisa ser aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado e passar por comissões a serem definidas pela Câmara dos Deputados antes de entrar em vigor. Confira alguns pontos do projeto:

Responsável

> O dono do cão de raça considerada perigosa responde civil e penalmente pelos danos que o animal causar a outras pessoas. Dependendo do caso, pode ser classificado como lesão corporal, lesão corporal seguida de morte, homicídio simples – culposo ou doloso. As penas variam de 1 a 12 anos de detenção.

Precaução

> Em locais públicos, os cães que fazem parte da lista devem estar com coleira, corrente e focinheira. Caso contrário, o animal pode ser apreendido e o dono deve pagar multa de R$ 100. Se o cão for abandonado, pode ser sacrificado. O dono ainda pode ser acusado de colocar em perigo a vida ou a saúde de outras pessoas. A pena varia de três meses a um ano de detenção.

Castração

> A partir de 1º de janeiro do ano seguinte à aprovação da lei, a reprodução de pit bulls fica proibida. Os machos devem ser castrados. Caso o dono não cumpra a lei, pode ser preso durante três meses a um ano.
 
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Dupla de escritores faz literatura de fantasia

3 de mar. de 2010

O livro Crônicas dos Senhores de Castelo, editado pela Base Editorial, é, de acordo com os autores, G. Brasman e G. Norris, apenas a “ponta de um iceberg”.

A dupla pediu para não ter os nomes próprios revelados. “Usamos nomes artísticos”, dizem os dois.

Atualmente, eles trabalham em uma empresa multinacional em Curitiba. Aproveitam o horário do almoço para, além da alimentação, discutir e traçar planos para o futuro.

Eles pretendem atuar em várias áreas, não apenas no mercado editorial. Pensam em desdobrar o projeto em vídeos de animação, jogos para videogame, cartas e tabuleiro etc.

Seguindo os sinais

Crônicas dos Senhores de Castelo foi lançado dia 19 de novembro, com a presença de 300 pessoas na Livrarias Curitiba do Shopping Palladium. “Um sucesso”, diz Norris.

De acordo com G. Brasman, o livro pode ser entendido como “uma jornada de uma princesa e de um andróide em busca de um artefato de magia e poder. Os dois acabam enfrentan do inimigos e perigos. A gente escreveu o livro com ritmo cativante, para que a aventura não pare.”

Os escritores se inspiraram em Star Wars, O Senhor dos Anéis, videogames e em literatura de fantasia.

G. Norris e G. Brasman: autores curitibanos desenvolvem projeto que inclui livro, e prevê brinquedos, videogame e jogos variados

Modus operandi

O fim de semana é motivo de festa para Brasman e Norris. Brasman escreve do início das noites das sextas-feiras até as manhãs de sá bados. Norris prefere as manhãs dos sábados e dos domingos. Um escreve, o outro lê e sugere cortes, modificações na estrutura etc. A parceria funciona há três anos.

Paz e prosperidade

Os enredos que eles elaboram falam de prosperidade e paz. Tudo o que escrevem tem de ser algo que, nas palavras de les, uma menina de 13 anos possa ler sem se sentir constrangida.

“Não escrevemos cenas de sexo, nem de nudismo, não fa lamos de religião, nem de política”, diz Brasman. Norris acrescenta que, na realidade, eles escrevem para divertir os leitores.

Saga em dupla

Crônicas dos Senhores de Castelo e os próximos três livros (previstos) formarão uma saga, que se desenrolará durante aproximadamente três mil anos. Apenas como curiosidade: só neste primeiro livro, há 42 personagens, sete deles protagonistas.

Norris comenta que ele gosta da ideia do universo expandido. “Porque tudo o que fazemos terá desdobramentos”, diz. Um enredo que não for pertinente à saga, pode ser aproveitado, por exemplo, em um conto. (MRS)

Serviço
Crônicas dos Senhores de Castelo, de G. Brasman e G. Norris. Base Editorial, 224 págs., R$ 29,90

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Comer fora em Curitiba custa, em média, R$ 13,20

24 de fev. de 2010

Valor está abaixo da média nacional, que ficou em R$ 18,20, segundo estudo da Assert

A refeição para quem trabalha em Curitiba e almoça em restaurantes custa, em média, R$ 13,20. É o que revela levantamento nacional da Associação das Empresas de Refeição e Alimentação Convênio para o Trabalhador (Assert), que reúne empresas do sistema de vouchers e cartões refeição. O valor fica abaixo da média nacional, que é de R$ 18,20 é e o segundo menor entre as capitais brasileiras, só perdendo para Campo Grande, onde a refeição sai por R$ 11,50. A pesquisa avaliou os preços da refeição composta por prato principal, bebida não alcoólica, sobremesa e cafezinho.



Foram realizadas 3.224 entrevistas pessoais, de Norte a Sul do país, com donos ou responsáveis por estabelecimentos para verificar os preços do prato feito ou comercial; autosserviço (refeição a quilo/preço fixo); prato executivo e a la carte. O estudo foi conduzido pelo Instituto Análise entre os dias 23 de novembro e 18 de dezembro de 2009.

O presidente da Assert, Artur Almeida, considera o preço médio nacional da refeição elevado para os padrões brasileiros, assim como muito superior ao benefício concedido pela maioria das empresas, que varia conforme a categoria profissional, acordos sindicais e a região do País, mas, na média, é de R$ 10,00. Almeida acredita que fatores do custo Brasil, como a alta carga tributária e as elevadas tarifas públicas, influenciam os preços nos estabelecimentos. “O setor de restaurantes tem grande valor social, gera empregos e riquezas para o Brasil. Mas, ao mesmo tempo, é um segmento muito sensível a alterações na economia”, analisa.

A pesquisa está em sintonia com o IPCA do IBGE, que mede os preços para famílias de 01 a 40 salários mínimos e é o indicador oficial de preços, usado pelo governo federal para definir as metas de inflação. A refeição fora do domicílio (um dos itens que compõe o índice) teve grande participação no cálculo da inflação do ano passado: subiu 9,05%, apesar de o IPCA ter ficado em apenas 4,31% nos 12 meses de 2009.

As regiões Sudeste e Centro-Oeste são as que oferecem preços médios mais altos, depois se destaca o Norte do país. As demais regiões registram valores inferiores.

Para este ano, a previsão do presidente da Assert é de que o preço da refeição em restaurante permaneça em R$ 18,20 ou até aumente. Ele citou entre os motivos as fortes chuvas, que contribuem para o aumento dos preços de verduras e legumes, e o crescimento da economia brasileira.

Veja os preços das refeições no Brasil

Sudeste R$ 19,10
Grande São Paulo R$ 19,00
Rio de Janeiro R$ 20,40
Belo Horizonte R$ 15,80
Grande Vitória R$ 20,40
Santos R$ 20,80
Ribeirão Preto R$ 18,10
São José dos Campos R$ 16,80
Campinas R$ 19,10

Região Norte R$ 16,90
Manaus R$ 15,50
Belém R$ 18,90

Região Nordeste R$ 15,60
Fortaleza R$ 13,90
Salvador R$ 17,20
Recife R$ 15,70

Região Sul R$ 15,40
Curitiba R$ 13,20
Joinville R$ 16,70
Porto Alegre R$ 16,60
Florianópolis R$ 17,90
Blumenau R$ 12,40

Centro–Oeste R$ 19,10
Brasília R$ 20,10
Goiânia R$ 16,08
Campo Grande R$ 11,50
Cuiabá R$ 16,70

PREÇO MÉDIO BRASIL R$ 18,20
 
Veja reportagem original aqui.
 

2009 ·Clockwork News by TNB