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Número de fumantes no país caiu 45% em 19 anos

31 de ago de 2010

A proporção de fumantes na população brasileira caiu 45% em 19 anos, mas a exposição crescente dos jovens ao fumo preocupa cada vez mais as autoridades de saúde. A conclusão é da Pesquisa Especial de Taba gismo (PETab), do Instituto Nacional do Câncer (Inca), que entrevistou 39.425 pessoas com mais de 15 anos em todo o país. Em 1989, 33% dos brasileiros consumiam cigarros. Duas décadas depois, esse índice caiu para 18%, o equivalente a 25 milhões de fumantes.


Para o técnico da Divisão de Epidemiologia do Inca, André Skol, a proibição do fumo em ambientes fechados, o investimento em propaganda antitabagista e o aumento dos impostos explicam a queda. “A veiculação de imagens sobre os malefícios do cigarro foi um dos aspectos mais importantes. Pesquisas feitas em vários países apontam que quem vê essas imagens pensa imediatamente em parar de fumar. Embora o maior passo seja partir para a ação e parar efetivamente, esse já é um grande avanço”, afirma.

Ainda de acordo com a PETab, a idade média em que o brasileiro com menos de 30 anos começa a fumar é 17 anos. Os jovens também são mais influenciáveis pela propaganda tabagista: 48,6% dos entrevistados com menos de 24 anos disseram ter percebido algum tipo de mensagem de incentivo ao fumo, ante 38,7% dos adultos.
 
O médico Jayme Zlotnik, presidente da Associação Para naense de Combate ao Fumo, afirma que, por causa do grande número de adolescentes fumantes, o vício passou a fazer parte do rol de doenças pediátricas. “O fumo deixou de ser uma doença de adultos. E, para a indústria, é interessante promover uma campanha maciça sobre os jovens, pois quanto antes eles passarem a consumir o produto, melhor”, diz. As consequências do vício sobre os jovens, alerta Zlotnik, são mais danosas do que sobre os adultos. “O cérebro de um adolescente, por não estar totalmente formado, é muito mais vulnerável às substâncias cancerígenas do cigarro.”


Primeira tragada

Mesmo cientes dos malefícios trazidos pelo hábito de fumar, os estudantes Carlos*, 16 anos, e Paula*, 19 anos, confessam que não pensaram muito antes de dar a primeira tragada. “Eu ia muito a festas e lá todo mundo fumava. Experimentei por curiosidade e em quatro meses já estava viciada”, revela Paula, que começou a fumar aos 16. No ano passado, chegou a parar por 6 meses, por causa da rotina de estudos para o vestibular, que a afastou das baladas. Fez clareamento nos dentes, maltratados pela nicotina, e prometeu aos pais que não teria “recaída”. Mas a promessa não durou muito tempo. Voltou ao vício e hoje fuma uma carteira de cigarro por dia. Carlos, que começou aos 12 anos, fuma escondido dos pais e diz que não pensa em doença. “Acho que é porque elas demoram para aparecer. Parece algo distante.”

Os jovens procuram menos ajuda para tratar o vício, embora 48% tenham relatado pelo menos uma tentativa de parar de fumar nos últimos 12 meses. Para a gerente do Centro de Epidemiologia do Inca, Liz Maria de Almeida, os dados mostram que o governo precisa focar as campanhas de prevenção ao consumo e para largar o cigarro nessa faixa etária. “Agora, o foco da indústria tabagista são os jovens. Essa é a principal faixa etária em que devemos trabalhar, até porque é a idade em que é mais fácil abandonar o vício”, destaca.
 
Mulher começa a fumar mais cedo


No Brasil, 22% dos homens e 13% das mulheres fumam. Entre os jovens, elas estão mais vulneráveis ao vício. O número de adolescentes do sexo feminino que começaram a fumar antes dos 15 anos é 22% maior em relação aos rapazes na mesma faixa etária. Para a oncologista Paola Pedruzzi, do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP), a entrada da mulher no mercado de trabalho e as mudanças de comportamento empurraram os números para cima. Os danos à saúde são vários, de acordo com a médica. “A pele é mais ressecada e menos elástica, e a consequência é o envelhecimento precoce”, afirma. As substâncias cancerígenas também provocam a hiperproliferação do tecido epitelial, aumentando o risco de mutações genéticas. No tecido mamário, é comum aparecerem nódulos, que podem evoluir para o câncer.

Segundo o médico Jayme Zlotnik, presidente da Associação Paranaense de Combate ao Fumo, doenças antes exclusivas dos homens agora começam a se manifestar nelas. “Câncer de laringe e de pulmão eram algo que, até a Segunda Guerra Mundial, mulher não tinha”.

E se o cigarro começou a ser objeto constante nas mãos das mulheres justamente pela liberdade sexual, o vício já põe em risco o maior símbolo dessa conquista: a pílula anticoncepcional. Hoje, a mulher que fuma é recomendada a não usar pílula, pois o cigarro pode potencializar a formação de coágulos no sangue e contribuir para a a ocorrência de tromboses e derrames. “Fumar é uma doença que causa outras doenças e impede que se viva uma vida saudável e plena. O melhor é parar antes, ou melhor: nem começar”, alerta Zlotnik. As mulheres, aliás, largam o cigarro com mais facilidade do que os homens, segundo o estudo. “Elas começam mais cedo, mas também abandonam logo o fumo, talvez devido à gravidez’’, avalia Liz de Almeida, gerente da Divisão de Epidemiologia do Inca.
 
da Gazeta do Povo

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