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19.ª edição do Festival de Curitiba

9 de fev de 2010

O Festival de Curitiba muda o clima da cidade em março: por duas semanas, moradores e turistas respiram o teatro, que se espalha pelas ruas. Depois de um ano de crise e de uma edição bastante criticada por cancelamentos e poucas novidades, o evento chega a 2010 na expectativa de envolver a cidade com algumas surpresas na programação. As datas já estão marcadas: de 16 a 28 de março. Os ingressos começam a ser vendidos na próxima terça-feira (9).


Na Mostra Contemporânea, 27 peças procuram mesclar tradição e inovação, montando um panorama da produção nacional no momento. Além disso, os teatros curitibanos serão palcos de sete estreias nacionais.

“O festival procura ser um mosaico do que acontece na cena teatral brasileira, em busca do frescor de espetáculos recentes e peças consagradas que não chegariam a Curitiba de outra maneira”, afirma Leandro Knopfholz, diretor do Festival de Curitiba. Os responsáveis pela escolha das peças são Lúcia Camargo, Tânia Brandão e Celso Curi, que estão à frente da curadoria há três anos.
 
Nesta edição, Rio de Janeiro e São Paulo são os estados que têm mais peças na mostra principal: 11 e 10 espetáculos, respectivamente. Minas Gerais e Rio Grande do Sul têm dois representantes cada. Completando a grade, ainda há um trabalho do Paraná e uma montagem internacional, do Canadá. “Fala-se muito em descentralizar a produção, mas é preciso muito investimento e infraestrutura para isso acontecer. Percorremos o Norte e o Nordeste e não encontramos qualquer espetáculo novo e contundente. Algumas vezes os grupos têm um ritmo de trabalho mais lento e passam até três anos com a mesma peça”, justifica a curadora Tânia Brandão, sobre a ausência de produções dessas regiões.
 
Equilíbrio


Um dos objetivos dos curadores era o de dosar espetáculos tradicionais e propostas inovadoras. “O festival deve sempre indicar o novo, as luzes, o caminho. Nesse nosso quadro, o índice de tradição ficou bastante tímido”, diz Tânia, que aponta como “explosivos” os conteúdos trabalhados até mesmo em peças de dramaturgia mais convencional.

Além das estreias, peças que tiveram grande repercussão nacional vêm a Curitiba. Uma aposta é a produção do diretor Enrique Diaz, In on It . “É uma invenção cênica em um ponto de efervescência muito grande, com rompimento dos limites da linguagem teatral convencional. Vai se tornar histórico”, palpita Tânia. Apostando na transgressão, a peça se destaca por interpretações notáveis.

Já para reforçar a tradição do teatro brasileiro, o Grupo Galpão, de Minas Gerais, traz o espetáculo Till, a Saga de um Herói Torto. “O grupo tem uma trajetória consolidada e traz uma montagem impressionante, que evoca a Idade Média, a redução da figura do indivíduo e o poder de resistência que ele tem. Esses temas são muito importantes para a sociedade brasileira”, aponta Tânia.

Autores clássicos também terão suas obras apresentadas nos palcos curitibanos. É o caso de Lady MacBeth, montagem do diretor Aderbal Freire-Filho para uma das mais contundentes tragédias de William Shakespeare, que ainda é um autor pouco montado no teatro brasileiro. A montagem reúne Renata Sorrah e Daniel Dantas, conhecidos do público por trabalhos na televisão.

O grupo Os Fofos Encenam trazem a Curitiba Memória da Cana, uma adaptação do texto Álbum de Família, de Nelson Rodrigues. A curadora Tânia Brandão define o espetáculo como uma reinvenção cênica de Rodrigues. Outro dramaturgo polêmico, o italiano Dario Fo, tem sua acidez representada pelo grupo Parlapatões. Em O Papa e a Bruxa, o convívio do Sumo Pontífice com uma freira curandeira serve para questionar algumas ações da igreja com muito humor.

A miscelânea de grupos, origens e estilos tem motivo. “Curitiba despontou como uma das capitais teatrais do país. A cidade tem um interesse por cultura muito elevado e dá um retorno forte sobre as discussões que envolvem a arte. Se apresentar aqui é fundamental para qualquer coletivo de teatro”, diz Tânia.

Paralelo

Não é só a mostra oficial que faz o Festival de Curitiba. Neste ano, o Fringe, a mostra paralela, em que os grupos se cadastram livremente teve recorde de inscrições: foram cerca de 470 solicitações e 374 espetáculos efetivados. Para auxiliar o público na escolha das peças, alguns espaços tem programadores, que reúnem espetáculos do mesmo estilo nesses locais.

Serviço: Bilheteria Central (ParkShopping Barigui – R. Pedro Viriato Parigot de Souza, 600). Callcenter: 4003-1212. http://www.ingressorapido.com.br/


Caixinha de supresas


Setes estreias garantem o “inesperado” na programação oficial do Festival de Curitiba 2010. Saiba mais sobre essas produções, que correm contra o relógio para estarem prontas a tempo

Caderno de Memórias

Texto de Jean Claude Carrière. Direção de Moacyr Góes. Com Dira Paes e Otto Jr. Consagrado roteirista de cinema que trabalhou com Luís Buñuel e Peter Brook, Carrière propõe a situação de uma mulher que invade o apartamento de um homem e transforma a vida dele, antes organizada.

Ghetto
Roteiro e direção de Elias Andreato. Com Fábio Herford. Depois de encenar o solo Doido, no ano passado, Andreato retorna a Curitiba com o formato, agora dirigindo outro ator, Herford (que atuou sob seu comando em Alguma Poesia), em texto baseado no testamento de um judeu acuado em Varsóvia.

Música para Ninar Dinossauros

Texto e direção de Mário Bortolotto. Com Lourenço Mutarelli, Paulo de Tharso e Mário Bortolotto. Bortolotto começa a ensaiar depois do Carnaval seu texto mais recente, sobre homens cuja dificuldade de criar laços com mulheres faz com que só se relacionem com prostitutas. Uma geração que nasceu da rebeldia libertária dos anos 60 e ainda não descobriu como lidar com ela.

Theme and Variations e os Duplos

Direção de Iracity Cardoso e Inês Bogéa. Com a São Paulo Companhia de Dança. A primeira coreografia, um clássico moderno de 1947, foi elaborada pelo russo George Balanchine sobre o andamento final da Suíte N.º 3, de Tchaikovsky. A segunda, “Os Duplos”, é a proposta nova do coreógrafo Maurício de Oliveira, em que oito bailarinos-criadores exploram espaços negativos e os contornos de seus corpos.

Travesties

Texto de Tom Stoppard. Direção de Caetano Vilela. Com Germano Mello, Rodrigo Lopez e Manoel Candeias. Gerald Thomas decretou seu afastamento do teatro em novembro, agora sua companhia Ópera Seca estreia uma montagem entregue a outro diretor, Caetano Vilela, reconhecido iluminador de óperas.

Ele tem em mãos uma peça

ganhadora do Tony, escrita por Stoppard (de Rock’n’Roll), aproveitando a coincidência real de que James Joyce, Lenin e o poeta romeno Tristan Tzara foram vizinhos no auge da Primeira Guerra e no fim da Revolução Russa.

Vida

Direção e texto de Marcio Abreu. Com Giovana Soar, Ranieri Gonzalez, Rodrigo Ferrarini e Nadja Naira. Toda a investigação feita pela Cia. Brasileira de Teatro sobre a obra de Paulo Leminski deságua nesse espetáculo original. Os quatro personagens se encontram como que exilados numa cidade, convivendo nos ensaios de uma banda, entre o prosaico da vida e as transformações possíveis.

Dona Otília e Outras Histórias

Texto de Vera Karam. Direção de Gilberto Gawronski. Com Guida Vianna, entre outros. A solidão feminina foi tema constante da escritora e dramaturga gaúcha Vera Karam, morta em 2003. Seus escritos mais recentes, dotados de ironia e humor negro, compõem este dirigido por Gawronski, que repete com Guida Vianna a parceria de A Mulher Desiludida.
 
Veja aqui a programação completa da mostra oficial.

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