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blog Pausa Dramática

Corpo fechado - a estética de desenhar o corpo

27 de set de 2010

Âncoras, flores, entre tantos outros desenhos, simbolizavam castas nada valorizadas pela sociedade do início do século passado: marinheiros, prostitutas, presidiários... Com a chegada do peace and love dos anos 60, a tatuagem se tornou pop e foi virando mania.


A estética passou a ter mais relevância que o próprio significado. Tal mudança de pensamento caminha junto com o hábito de alguns em fazer uma tatuagem já pensando na seguinte. Lucas Cordeiro, um dos proprietários do estúdio curitibano Tattoo Classic, diz que, quando uma tatuagem agrada e realmente há uma identificação da pessoa com o desenho, ela geralmente quer fazer a próxima. A compulsão se justifica por esse treino do olhar, em entender a tatuagem como uma obra de arte que não estará em um quadro, mas gravada em um corpo.
 
Após o modismo das estrelinhas no punho e do sucesso do reality show ambientado em um estúdio de tatuagem, paradigmas sobre esta arte corporal têm sido quebrados. Diferente de antes, o tatuado carrega menos estigmas. Até celebridades, cujas personalidades não estão vinculadas à rebeldia (a apresentadora Angélica e a top Gisele Bündchen são exemplos), aderiram à body art.


O universo fantástico que envolve a história da tatuagem despertou na produtora audiovisual Mariana Heller, 28 anos, o desejo de ter inúmeros desenhos cravados à pele. Ela tem os dois braços e as costas inteiramente fechados por tattoos. A primeira veio aos 18 anos: uma caveira com adagas e rosas na parte de trás da coxa. Ela diz que não foi um grito de rebeldia. “Eu gostava de tatuagens e tinha um amigo que era tatuador. Então, fui lá e fiz.”

Thiago Polatti, engenheiro de computação, 28 anos, que há 12 anos cunhou na batata da perna um símbolo de skate, algo que afirmava sua identidade na época, acha que por meio dos desenhos gravados no corpo, a pele se torna um registro de lembranças. Atualmente, é no braço direito que está o que pode se chamar de sua marca registrada: uma composição, no estilo oriental, que para ele retrata a saída da juventude para a vida adulta.

Para muitos, a glamurização e os modismos que passaram a fazer parte do universo da tatuagem tiraram o purismo da atitude do tatuado. “É como se não fosse possível dizer ‘eu fiz uma tattoo porque gostei e ponto’”, afirma Gabriel Ribeiro, tatuador em São Paulo.

Mais uma

Cordeiro e seu sócio Cacau preferem deixar que significados e homenagens sejam incluídos de forma subliminar na tatuagem. “O significado pode ser expresso de uma maneira poética”, diz Cordeiro.

A elaboração de uma tatuagem pode ter como inspiração vários elementos. Referências de livros e pinturas são bastante comuns, mas a música também pode ser uma grande aliada nos momentos de criação. O tatuador Cordeiro leva no braço um yellow submarine. Mesmo não revelando em que se inspirou, é possível imaginar.

Embora hoje a tatuagem seja uma profissão consolidada e fonte rentável para muitos, os tatuadores não gostam de ser vistos apenas como prestadores de serviço. Ribeiro revela que é desagradável não ter liberdade de criação dentro do que foi proposto pela pessoa que será tatuada. Ao mesmo tempo, o cliente precisa ficar satisfeito com o desenho que escolheu. Por isso, antes de optar pelo profissional, é bom conhecer o trabalho dele e se certificar de que o estilo do tatuador combina com o seu.

Algumas pessoas fazem tatuagem por modismo ou para se afirmarem como indivíduo. Para Polatti isso é preocupante. Os tatuadores compartilham da angústia, revelando que o sonho de qualquer profissional de tatuagem são aqueles clientes que realmente entendem o que estão fazendo, que têm referências e tratam a arte com o seu devido valor.

Lenda

Dizem que não dá sorte ter um número par de tatuagens no corpo. A superstição nasceu de uma história fantástica envolvendo o naufrágio de um navio pirata.

Todos que tinham tatuagem em número ímpar teriam morrido. Então, estabeleceu-se a relação do número ímpar com azar. Os tatuadores da época aproveitaram a deixa e passaram a lucrar com aqueles que só tinham uma tatuagem. Com o tempo, a estratégia de marketing teve de mudar. Foi necessário contar que, na verdade, quem havia morrido eram os piratas com tatuagens em números pares. O misticismo se refez, o ciclo continuou e a lenda permanece até hoje.
 
da Gazeta do Povo

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