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Video Locadoras: um negócio fadado ao fim

10 de set de 2010

Maringá é responsável por 20% das locadoras de filmes do PR

Que a situação está brava para todos os que mantêm videolocadoras, parece não haver controvérsia. Com o avanço da pirataria, a difusão das TVs por assinatura e a facilidade de baixar filmes pela internet, os pontos de locação foram minguando por todo o Brasil - no Paraná, o Sindicato das Videolocadoras (Sindivídeo-PR) estima que, de 2006 para cá, 70% dos estabelecimentos foram extintos. "Estamos em sobrevida", confessa o presidente do sindicato, Jorge Luiz Hein, que não esconde ter uma visão pessimista.


Em Maringá, quem se arriscar a conversar sobre a situação do mercado com donos de videolocadoras certamente também ouvirá reclamações.



Marcelo Manilia, dono de locadora: para cativar o público infantil, usa fantasia e distribui doces
 
Esbravejando ou não, no entanto, os representantes da área na cidade conseguem se manter em número expressivo: a prefeitura conta 88 videolocadoras abertas, "tirando as de fundo de quintal, que não têm registro", de um total de 500 ainda abertas no Estado, de acordo com dados do Sindivídeo.
 
Para um município que representa aproximadamente 3,5% da população paranaense, deter quase 20% das videolocadoras é um dado de respeito.


Os números frios, contudo, não são tão relevantes quanto a realidade, que pode ser vista nas ruas: se a estatística provavelmente está superestimada graças a proprietários que não fecham suas empresas ao encerrar as atividades, é inegável que a cultura de locação de vídeos em Maringá ainda está muito mais entranhada do que em municípios de porte semelhante, como Foz do Iguaçu e Londrina.

Aqui, além de filiais ou franqueados de redes nacionais, as locadoras ainda sobrevivem como negócio familiar, espalhadas por diversos bairros da cidade. O segredo da sobrevivência está apoiado em três pontos: diversificação dos negócios, combate à pirataria e ¿ principalmente ¿ preços baixos, para a alegria dos cinéfilos locais.
 
O preço estimado da locação de DVD no Paraná está em torno de R$ 5,50, segundo o Sindivídeo; em Maringá, se alguém quiser alugar um filme acima de R$ 4, necessariamente terá se dirigir a uma das duas grandes redes instaladas na cidade. Nas locadoras de bairro, o preço fica entre R$ 1,50 e R$ 3,50, a depender do status do filme, ou seja, se se trata de um lançamento ou se é um título já do catálogo.
 
Internet é a inimiga nº 1 das videolocadoras
 
Os preços baixos das videolocadoras em Maringá, atraentes para os consumidores, não soam tão belos assim para os proprietários. Marco Antônio Franciscon, dono de uma das lojas da rede maringaense Águia Negra, lamenta as condições dos negócios.


"Estamos trabalhando com preços muito abaixo do mercado, mas é o que nos mantêm." Para ilustrar a queda no rendimento, o proprietário conta que, em 2005, alugava um filme em VHS por R$ 4,50. Agora, mesmo com o avanço da tecnologia e alguma inflação, oferece aluguel de DVDs por praticamente metade do preço. "Desde 2006, estamos ladeira abaixo."

Franciscon acha que o número de 88 videolocadoras em Maringá é um exagero. Na ponta do lápis, conta menos de 50 estabelecimentos abertos na cidade. "E de um ano para cá, não abriu mais nada." Para se adaptar às demandas do mercado, as videolocadoras tiveram de diversificar seus serviços.

"Não conheço nenhuma que não ofereça hoje conveniência e serviço de lan house." A mídia blu-ray, tida por muitos como um alento para o negócio, por ainda ser imune à pirataria, não causa muito entusiasmo no proprietário. "Desde 2006 para cá, houve 5% de aumento na saída de blu-ray. É esse o negócio tão promissor?" O presidente do Sindivídeo compartilha a visão negativa. "As distribuidoras querem nos empurrar o blu-ray como a salvação da lavoura, mas não é nada disso."

Franciscon só alivia um pouco seu tom de tristeza ao comparar a situação maringaense com a de outras cidades próximas. "Aqui, pelo menos, não temos pirataria oficializada, como em Londrina. Em Foz, então, não sobrou nada [de videolocadoras]."

A prefeitura de Londrina informa que há 33 videolocadoras abertas na cidade; o número, já inferior ao de Maringá, não resiste a uma pesquisa na lista telefônica, onde não se podem contar dez estabelecimentos.

Mais do que a pirataria - "isso sempre existiu, mesmo em VHS" -, a maior ameaça ao negócio, para Franciscon, é a aparição de outras formas de entretenimento juntamente com a rapidez para se baixar filmes na internet. Seu veredicto, no entanto, é otimista. "Quem ficou até agora sobrevive."

Há 23 anos com o mesmo ponto em Maringá, Marcelo Manilia, proprietário da Fantasy Videolocadora, tem de investir em atividades muito além da simples locação de vídeos para manter seu estabelecimento.

"Já fui pessoalmente retirar um camarada que estava montando banquinha de DVDs piratas aqui na rua. Queimei a cara, o sujeito me ameaçou, mas não tem outro jeito." Para cativar as crianças, Manilia deixa seu lado ator fluir, fazendo brincadeiras, usando fantasias e distribuindo doces. "A criança lembra e depois fala para o pai ir na locadora daquele tio maluco."

O aspecto familiar é justamente um dos itens apontados por Manilia como essenciais para a perseverança das videolocadoras em Maringá. "A cidade cresceu, mas ainda tem elementos provincianos positivos; conseguimos agregar a família para ver um filme."

O grande acervo de filmes clássicos é motivo de orgulho para o proprietário, que investe no gênero por ser barato, não perder valor e sempre manter um nicho de pessoas interessadas. "Diferenciais e atenção fidelizam o cliente. Tem gente que só vem aqui para bater papo. É o que chamamos de barriga de balcão", diverte-se.
 
do Diário do Norte do Paraná

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