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Curitiba é capital com maior transtorno do trânsito

9 de set de 2010

Cidade lidera ranking nacional com maior frota per capita — 1 carro para cada 1,53 pessoas

Os transtornos causados pelo crescimento acelerado da frota brasileira de carros afetam principalmente as cidades grandes, a partir de 400 mil habitantes. Um levantamento que cruza a população, segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e os dados da frota de abril deste ano disponibilizados pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), coloca Curitiba no topo do ranking do número de carros per capita. Com 1,8 milhão de habitantes,a cidade que exportou ao mundo o modelo de transporte coletivo com base em corredores de ônibus, aparece em primeiro lugar quando o assunto é frota nas capitais: um carro para cada 1,53 pessoas. Se forem levadas em contas as cidades com mais de 400 mil habitantes, Curitiba só perde para a cidade de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, com um carro para cada 150 pessoas.


Já São Paulo, cidade com a maior frota absoluta de carros, fica em um modesto 8º lugar, com um carro para cada 1,77 pessoas. As outras capitais da região Sul também ficam bem atrás de Curitiba. Florianópolis (SC), com 408.161 habitantes e 248.673 carros, um carro para cada 1,64 pessoas. Porto Alegre, por exemplo, tem um carro para cada 2,10 pessoas, o que deixa a capital gaúcha em 20º lugar no ranking de cidades com mais de 400 mil habitantes.

"A lista das localidades com maior ocorrência de carros por habitantes está diretamente ligada ao poder econômico. Essas são cidades ricas e com grande concentração de empregos", diz o presidente da Associação Nacional de Transporte Público (ANTP), Aílton Brasiliense.

Ele aponta que a opção pelo automóvel é resultado de três fatores: status, má qualidade do transporte público e flexibilidade de tempo. "São fatores que levam a pessoa a preferir o veículo individual. Não eram todos que podiam se dar a esse luxo no passado, mas hoje as condições econômicas facilitam.", diz Brasiliense.

Tráfego e Violência — Com o incentivo da expansão de crédito e isenção de impostos, já são 35,3 milhões de carros no País — 66% a mais que em 2001. Em 2005, o Brasil ocupava a 10ª colocação entre os principais países vendedores de carro, saltando para o 4º lugar neste ano, quando ultrapassou a Alemanha. O aumento dos congestionamento em ruas e estradas e o crescimento dos acidentes de trânsito são os principais efeitos do aquecimento das vendas. Levantamento divulgado na semana passada pelo IBGE mostrou que os acidentes de trânsito já matam mais que os homicídios em oito Estados brasileiros. São Paulo, Santa Catarina e Paraná, Estados com cidades em posição de destaque no ranking de carros por mil habitantes, estão entre eles.

O caso de Santa Catarina é o que mais chama a atenção. Com três cidades entre as mais motorizadas, possui a menor taxa de homicídio brasileira (10,4 por 100 mil habitantes) e a segunda maior taxa de mortes em acidentes por transportes (32,7 por 100 mil habitantes). "Se a quantidade de carros já é muito alta, para piorar, as estradas litorâneas de Santa Catarina recebem um número excessivo de turistas. Em Florianópolis, os grandes congestionamentos são um dos fatores que mais aborrecem a população", diz o diretor-geral do Detran no Estado, Vanderlei Russo.

Especialistas atribuem o grande crescimento da frota na região de Campinas à construção de condomínios residenciais fechados. "São pessoas que já eram adeptas do automóvel, mas que aumentaram ainda mais o uso porque o transporte coletivo não atende com qualidade a esses condomínios mais afastados", diz Guimarães.
 
do Jornal do Estado

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