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De olho na limpeza dos óculos 3D

26 de jul de 2010

Projeto na Câmara obriga a esterilizar e embalar os objetos individualmente. Médicos comemoram, mas redes acham “desnecessário”

A popularização dos filmes em terceira dimensão (3D) nos cinemas exige cuidados especiais do consumidor com os óculos usados nesse tipo de exibição. A possibilidade de transmissão de doenças infecto-contagiosas por meio dos óculos compartilhados entre uma sessão e outra exige um rigoroso processo de higienização desses itens.


 
Flávia Villela, do Imax Palladium, diz que com o processo atual ninguém toca nas lentes dos óculos

Um projeto que tramita na Câmara dos Deputados em caráter conclusivo – não precisa ser votado pelo plenário para poder virar lei – quer obrigar as redes de cinema a higienizar e embalar os óculos utilizados pelo público nas sessões. Pela proposta, os óculos deverão ser esterilizados e embalados em plástico com fechamento a vácuo. A lei estabelece sanções para os cinemas que descumprirem a regra, que vão de advertência a multa de R$ 500, mais R$ 50 por dia de descumprimento após a notificação.
 
Médicos oftalmologistas aprovam a iniciativa, mas redes de cinema consideram o projeto de lei “desnecessário”. As principais empresas que exibem filmes em 3D no Paraná garantem já fazer a higienização dos óculos, embora o processo empregado pela maioria não atenda às especificações previstas no projeto.


Segundo a analista de marketing do Imax Palladium, Flávia Villela, a rede faz a esterilização de todos os óculos entre uma sessão e outra com o uso de uma máquina importada. “Após o uso, os óculos passam por dois ciclos de lavagem de alta pressão e alta temperatura, com o uso de detergentes especiais e bactericidas. O processo é todo automatizado e ninguém toca nas lentes. Da máquina, eles vão para uma bandeja e são entregues aos clientes por funcionários que usam luvas descartáveis. Não vemos necessidade de embalar em plásticos”, argumenta.

Processo semelhante também é adotado pelas redes UCI e Cinesystem. “Desde o início das exibições de filmes em 3D já fazemos a higienização e a identificação dos óculos”, afirma o diretor da rede Cinesystem, Eduardo Vaz. Segundo ele, o investimento na máquina de lavagem foi de cerca de US$ 8 mil. Das principais redes que atuam na capital, a Cinemark é a única que embala e lacra os óculos após o processo de limpeza, conforme o projeto determina.

Para a médica oftalmologista e professora da UFPR Ana Tereza Ramos Moreira, a simples lavagem dos óculos não elimina por completo o risco de contaminação, já que eles ficam expostos ao contato das mãos de consumidores e funcionários. Segundo o médico oftalmologista Artur Schmitt, sem a devida esterilização o compartilhamento dos óculos representa um alto poder de contaminação, em especial da conjuntivite bacteriana e viral. “Esse tipo de infecção, geralmente, é muito agressiva e pode deixar sequelas na córnea do paciente”, explica Schmitt. O médico diz que o ideal seria se todos os óculos fossem descartáveis. “Como isso, no Brasil, é impossível, o ideal é que o usuário faça a limpeza dos óculos com lenços e álcool em gel antes de usá-los”, recomenda.
 
Repasse
Ingresso subiria, dizem cinemas

Se aprovada, a lei que obriga os cinemas a oferecer óculos 3D embalados individualmente em saquinhos esterilizados pode aumentar o custo dos ingressos para os consumidores, dizem representantes das redes de cinema. “O custo de higienização dos óculos está embutido no preço dos ingressos”, explica Flávia Villela, do Imax Palladium. As empresas argumentam que embalar os óculos teria um custo adicional, que, provavelmente, seria repassado aos usuários.

A diretora de marketing da rede UCI, Monica Portella, explica que a quantidade de óculos recomendada é de 250% acima da capacidade de cada cinema, para permitir a rotatividade dos óculos durante o processo de lavagem. No UCI Estação, a sala com projeção 3D conta com 252 lugares e 630 óculos e a sala do UCI Palladium, com 274 lugares, tem em torno de 685 unidades.
 
da Gazeta do Povo

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