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Em média, cinco pessoas são atropeladas por dia em Curitiba.

26 de mar de 2010

Uma perigosa odisséia nas ruas: estatística poderia ser reduzida se calçadas não fossem tão ruins

MARCOS XAVIER VICENTE

Estatística do Corpo de Bombeiros aponta que, por ano, aproximadamente 2 mil vítimas de atropelamentos são atendidas pelas ambulâncias do Siate em Curitiba. Só em 2010, até a última quarta-feira, houve 410 ocorrências dessa natureza, o que aponta uma média de cinco pessoas atropeladas por dia na cidade. A quantidade pode ser ainda maior se contabilizadas as vítimas que chegam aos pronto-socorros de outras maneiras ou cujos ferimentos não exigem atendimento médico.


Cálculo do Datasus, banco de dados do Sistema Único de Saúde, mostra que a diária de internação de uma vítima de atropelamento custa R$ 1.079, em média. Se cada pessoa socorrida pelo Siate ficar internada um dia, no mínimo, o gasto anual com pedestres atropelados apenas em Curitiba giraria em torno de R$ 2,1 milhões. Isso sem contar prejuízos com afastamento do trabalho, com tratamento. Segundo profissionais ouvidos pela Gazeta do Povo, o problema poderia ser significativamente amenizado com uma mistura de conscientização e políticas públicas voltadas aos pedestres.
 
Para o arquiteto Carlos Hardt, coordenador do curso de Arqui tetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), uma das principais ações para melhorar o trânsito dos pedestres é a melhoria das calçadas. Na opinião do arquiteto, além de um trabalho informativo, mostrando à população a importância de mantê-las em boas condições, é preciso ter mais rigor na fiscalização para que os padrões de uma calçada eficiente sejam cumpridos: passeio plano, piso antiderrapante e sem obstáculos. “A má qualidade das calçadas criou um hábito muito perigoso entre os pedestres de Curitiba, que é o de caminhar na via de rolamento, disputando de forma muito desigual e perigosa o espaço com os carros”, aponta Hardt.


Conscientização

A opinião de Hardt é compartilhada pela vice-presidente da Associação dos Condomínios Garantidos do Brasil, Elin Talla rek de Queiroz, que coordena o Programa Passeio Nota 10. “Se as calçadas fossem boas, haveria colaboração inclusive na redução dos congestionamentos, porque as pessoas não usariam o carro para distâncias curtas”, ressalta. Em resposta, a prefeitura informa que desde 2005 mantém o programa Caminhos da Cidade para conscientizar os proprietários da necessidade de manter os passeios em boas condições. Além disso, em 2006 foi aprovado o Decreto Municipal 1.066 que regulamenta os pa drões das calçadas.

Para a psicóloga Iara Thielen, coordenadora do Núcleo de Psi co logia do Trânsito da Univer­sidade Federal do Paraná (UFPR), o desrespeito dos motoristas com os pedestres é a principal causa de atropelamentos. E um dos motivos desse comportamento, ressalta, é o mau exemplo e o descaso dos governos. “O poder público deveria orientar e exigir que o motorista obrigatoriamente pare na faixa de pedestre e que não avance o sinal. Mas para isso, é preciso um trabalho forte não apenas de conscientização, mas também de fiscalização. Porque, se não houver fiscalização forte, ninguém cumpre”, ressalta a psicóloga.

Sinal para pedestres, com contagem de tempo, na travessia da Rua XV de Novembro com Dr. Muricy, em Curitiba (Albari Rosa / Agência de Notícias Gazeta do Povo)

Já o coronel Leomir Mattos de Souza, comandante do Batalhão de Trânsito (BPTran) da Polícia Militar, aponta a parcela de culpa dos próprios pedestres. “O pedestre obrigatoriamente deve atravessar a rua na faixa, não no meio dos carros, aumentando e muito o risco de ser atropelado”, argumenta.

Da Gazeta do Povo

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