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blog Pausa Dramática

Sustentabilidade no carrinho de mercado

10 de mar de 2010

Você pode separar o lixo, economizar luz e água e usar os dois lados da folha de papel. Agora o convidamos para dar um passo além, dentro do supermercado. Como consumidores, temos uma ferramenta poderosa em favor do meio ambiente: o direito de escolha. Em meio às gôndolas abarrotadas de marcas, o consumidor é quem dita as regras e pode optar por um produto qualquer, ou outro que tenha destaque por sua responsabilidade sócio-am biental. Sim, eles existem em quase todos os segmentos. As grandes redes de supermercados já estão cientes de que há um público crescente que sabe diferenciar produtos e empresas que realmente contribuem com o bem-estar do planeta.

“No início todos os produtos vão parecer iguais”, afirma Ricardo Oliani, coordenador de mobilização comunitária do Instituo Akatu (organização que divulga o consumo consciente).

Mais simplicidade - O professor Arnaldo Carlos Muller orienta a evitar embalagens rebuscadas e desnecessárias. “A garrafa de vinho não precisa vir em uma embalagem de papel”, exemplifica. O material usado na embalagem também é importante:“Um produto sustentável certamente não é aquele cujo envoltório seja eterno, que permanece gerando vários tipos de impactos ambientais por longo tempo, ou cuja decomposição gera a degradação do local onde foi lançado.”

Então, para fazer a escolha certa, o jeito é investir alguns minutos na observação de rótulos e embalagens. “Quan do compramos um remédio lemos a bula toda, as contraindicações, se vai fazer mal... Essa investigação também é importante quando se compra um produto”, compara. Data de validade, componentes, certificações, cumprimento da legislação e participação em programas ambientais e sociais são informações decisivas na hora do produto deixar, ou não, a prateleira. Mesmo que nem todas essas informações acompanhem o produto, Oliani afirma que o consumidor deve buscá-las. “Toda empresa tem um SAC (Serviço de Atendimento ao Consu midor) e as informações também são disseminadas por meios eletrônicos. Cada vez mais as empresas vão divulgar as características sustentáveis de seus produtos, então vai ficando mais fácil para o consumidor optar”, diz.

Bom exemplo - Graça (acima) e o marido Daniel Buehler mudaram-se para o Brasil depois de 20 anos na Suíça. De lá trouxeram as sacolinhas retornáveis e hábitos que ainda precisamos aprender por aqui, como o de ter uma lixeira com divisões para saquinhos coloridos, específicos para cada tipo de lixo. “Eu separo tudo e faço a minha parte. Não temos filhos, mas não quero que os filhos dos meus amigos sofram depois com o lixo que produzo hoje”, diz Graça

Ecológico? Por quê?

Diversas pesquisas confirmam que as pessoas estão dispostas a pagar mais caro por um produto se souberem que ele foi produzido de forma ambientalmente responsável. De fato, para se chegar a um produto com essa característica é necessário investimento em tecnologia e adaptações na cadeia de produção. Mas é preciso cautela: nem tudo que se diz ecológico pode realmente ser chamado assim.

“A sustentabilidade já entrou para o dicionário das pessoas, agora vivemos um segundo momento, e todos querem dizer que são ecológicos. Para sair dessa armadilha, o consumidor pre cisa mudar seu comportamento e se interessar pelo que compra. Por outro lado, as em presas precisam se comunicar melhor e os parâmetros também precisam ser mais claros para que não haja confusão na cabeça do consumidor”, diz Oliani.

Entre o fabricante e o consumidor

Nosso principal cenário de consumo é o supermercado. Ele se tornou imprescindível para quem quer ter uma vida mais sustentável se imaginarmos que podemos ficar meses sem adquirir uma camiseta, mas dificilmente ficamos sem comprar leite, feijão, arroz, produtos de higiene...

Uma das ações de redes como Pão de Açúcar e Festval é a instalação do caixa verde ou caixa ecológico. Visitamos uma das lojas mas, infelizmente, não são todos os clientes que estão familiarizados com a “novidade”, que já tem quatro anos.

“É pela cor?”, nos perguntou um. “Deve ser só marketing!”, desconfiou outro. E você, sabe o que é um caixa ecológico? Va mos deixar a funcionária pública Re gina Maria Fontoura Oli veira, 41 anos, explicar: “Todas as em ba lagens que não precisamos levar para casa descartamos em lixeiras, e elas são doadas. Podem ser caixinha de pasta de dente, caixa que embala junto o xampu e o condicionador e embalagens de bolacha que vêm no plástico e na caixa de papelão.” Regina não se surpreende por saber que, antes dela, dez clientes passaram pelo caixa ser saber do serviço de coleta de embalagens. “Eu conheço porque sou curiosa. Fora isso, se eu não fizer, meus filhos me cobram. Vale a pena usar esse caixa, com isso diminuímos o lixo em casa. Eles deveriam colocar o serviço em todos os caixas, assim as pessoas iam se acostumar”, diz Regina.

Mas, para haver expansão, é preciso adesão, como explica o professor de mestrado de Ges tão Ambiental da Universidade Positivo Klaus Dieter Sautter. “As pessoas precisam dar ênfase e preferência a pontos de venda que têm ações e produtos sustentáveis, por isso diminui o impacto global do consumo. O consumidor tem tudo nas mãos, se disser: ‘A partir de amanhã tal produto tem de ser assim ou não compramos mais’. As empresas terão de ouvir”, afirma.

Alguns supermercados também estão atentos ao pós-consumo. Redes como Angeloni, Wal mart e o próprio Pão de Açúcar encaminham para a reciclagem o lixo deixado pelos clientes, além de contarem com diversas ações para reduzir o consumo de energia elétrica, valorizar programas sociais ou ambientais – próprios ou de fornecedores –, ou aproveitar inteiramente a água da chuva, por exemplo.

Você conhece as ações promovidas pelo supermercado que frequenta? Consulte, cobre e usufrua, e mostre que o consumo sustentável é algo pelo qual vale a pena lutar.

Novidade na prateleira

A união entre a rede Walmart Brasil e nove de seus principais fornecedores resultou no projeto “Sustentabilidade de Ponta a Ponta”, com produtos mais sustentáveis à venda, primeiro na Rede Walmart (Walmart, Big, Sam’s Club e Mercadorama) e em outros supermercados a partir do mês que vem.

A ideia é agregar à produção de um produto de marca conhecida pelo público conceitos sustentáveis, que vão da redução ou alteração do tipo de embalagem e matéria-prima empregada, à redução do consumo de energia, de água e dos resíduos sólidos gerados. Além do suporte e consultoria técnica, o Walmart oferece aos parceiros a garantia de compra, visibilidade e exposição diferenciada dos produtos.

* * * * * *

Sustentabilidade de Ponta a Ponta

Pelo programa “Sustentabilidade de Ponta a Ponta” do Walmart Brasil, nove produtos chegaram às prateleiras depiis e um banho de sustentabilidade. Confira as mudanças em cada um:

Esponja de banho Curauá –Este projeto teve como base o desenvolvimento de um produto novo focando o uso de fontes renováveis (fibras naturais) e fibra sintética (fonte fóssil) reciclada, bem como a redução de massa do sistema de embalagem e a otimização no uso de energia. Em comparação a uma espoja de banho regular, a de curauá apresentou as seguintes vantagens:

- 44% menos matéria-prima consumida na produção das embalagens do produto e das caixas de transporte;

- 32% de redução na geração de resíduos sólidos, devido ao desenho inovador da esponja que permite um melhor aproveitamento da manta de fibra;

- 52% de redução no consumo de energia elétrica no processo industrial;

- Simplificação do material de embalagem para facilitar o processo de reciclagem;

- 42% de incorporação de matéria-prima de fonte renovável (fibra de curauá e cordão de algodão);

- 198% de aumento no uso de material reciclado com adição de fibras PET e caixa de papelão, ambas 100% recicladas;

- Uso de matéria-prima certificada pelo FSC - Conselho Brasileiro de Manejo Florestal, para produção das caixas de papelão para transporte dos produtos.

Óleo Liza - Este projeto teve como base melhorias nos processos produtivos com destaque para a redução de peso na embalagem primária de PET e os benefícios oriundos da implantação de uma nova planta industrial mais eficiente. Os ganhos ambientais alcançados pelo projeto foram:

- Redução de 26% no consumo de água;

- 18% de redução no consumo de energia elétrica na produção das garrafas plásticas;

- 35% de redução na quilometragem rodada por caminhões para o transporte de produtos até os centros de distribuição do Walmart Brasil por meio da otimização de viagens;

- Redução de 56% no consumo de combustíveis fósseis por meio da troca de parte da matriz energética de petróleo para biomassa de origem controlada;

- Uso de matéria-prima certificada pelo FSC -Conselho Brasileiro de Manejo Florestal e Cerflor - Programa Brasileiro de Certificação Florestal, na produção das caixas de papelão dos produtos finais;

- Redução de 10% na quantidade de matéria-prima plástica necessária para a produção das embalagens do produto;

- Redução total de 40% nas emissões de gases de efeito estufa.

Pinho Sol - A linha Pinho Sol foi revista em relação aos impactos de sua produção dentro das unidades industriais da Colgate e fora de seus portões, com melhor conhecimento dos processos que garantem as matérias primas necessárias aos produtos. Os benefícios alcançados foram:

- redução de 17% do consumo de material plástico na embalagem do produto;

- embalagens com material PET 100% reciclado, sendo 90% pós-consumo e 10% pré-consumo;

- Redução de 15% da gramatura da tampa com a retirada do selo de vedação, facilitando também o processo de reciclagem;

- utilização de 45% de papelão reciclado pós-consumo para a produção das caixas de transporte resultando em uma economia 416 toneladas de matéria-prima virgem por ano;

- reuso de 3% de água no processo produtivo;

- redução de 6% no consumo de energia para o processo produtivo;

- 100% de utilização de papel certificado pelo FSC - Conselho Brasileiro de Manejo Florestal, para a produção dos rótulos do produto;

- utilização de essências de fornecedores certificados de acordo com a norma NBR ISO 14.001.

Matte Leão Orgânico - Este projeto teve como base o desenvolvimento de um produto orgânico certificado, bem como a implantação de uma fábrica verde, uso de material reciclado e redução da quantidade de tinta de impressão na embalagem. Resultados:

-uso de 100% de erva mate orgânica certificada pela Ecocert e pelo IBD - Instituto Biodinâmico, atestando a não utilização de fertilizantes químicos ou pesticidas no seu cultivo;

-uso de material 100% reciclado na embalagem do produto, sendo 30% reciclado pós-consumo;

-redução da emissão de CO2 no transporte da erva mate pelo uso de 10% de biodiesel;

-redução de 90% na quantidade de tinta de impressão na embalagem do produto;

-93% de redução na emissão de compostos orgânicos voláteis com o uso de tinta de impressão de baixo COV;

-comunicação na embalagem sobre o aproveitamento do resíduo do chá como adubo orgânico;

-comunicação na embalagem sobre o ciclo de vida do produto, desde a sua produção até chegar ao consumidor final;

-redução de 23% no consumo de energia no processo de produção;

-redução de 36% no consumo de água no processo produtivo;

-utilização de caixas de transportes feitas com matéria-prima certificada pelo FSC - Conselho Brasileiro de Manejo Florestal.

Band-Aid - Este projeto de melhoria teve como princípio o desenvolvimento de uma embalagem primária de menor volume para acondicionar a mesma quantidade de band-aids com benefícios como redução na quantidade de material de embalagem, otimização do processo produtivo e do transporte do produto.

- redução de 18% no uso de matérias-primas para a embalagem;

- utilização de 30% de matéria-prima reciclada pós-consumo na embalagem do produto, representando uma economia de mais de 32 milhões de embalagens que utilizariam matéria-prima virgem para sua produção;

- utilização de 40% de matéria-prima reciclada pós-consumo na caixa de transporte do produto, representando um ganho equivalente a 1,8 milhões de caixas de papelão para transporte;

- redução de 2.038 toneladas por ano de material em perdas no processo de produção;

- redução de 1.192.000 kWh por ano de energia no processo de produção;

- reciclagem de 50 toneladas por ano de resíduos de papel siliconado que deixaram de ser encaminhados para aterros industriais;

- redução de 11.600 km em transporte de containers de produtos no Brasil e América Latina devido a redução da embalagem;

- redução do transporte de 3.228 paletes e de 72 contêineres por ano para o transporte de produtos para os Estados Unidos e Canadá devido a redução da embalagem;

- redução das emissões de CO2 devido ao menor uso de energia no processo e transporte;

- redução das emissões de CO2 devido à menor quantidade de resíduo de celulose no pós-consumo pela degradando nos aterros.

Amaciante Confort Concentrado- Este projeto de melhoria teve como foco as campanhas de educação ambiental para comunicação aos consumidores do conceito de produto concentrado e as melhorias ambientais decorrentes da concentração do produto como a utilização de menor quantidade de recursos naturais e conseqüentemente, a redução das emissões de gases de efeito estufa e da geração de resíduos. O projeto desenvolvido pela Unilever alcançou os seguintes resultados:

- 63% de redução do consumo de papel na caixa de papelão utilizada no transporte e distribuição do produto;

- 37% de redução do consumo de plástico para a produção da embalagem;

- redução no consumo de energia para produção e transporte de produto;

- redução no uso de água na formulação do produto;

- 37% de redução da quantidade de resíduo sólido no pós-consumo.

Água Pureza Vital –O projeto teve como objetivo melhorias nos processos produtivos com foco na redução de massa nas embalagens primárias e secundárias, com benefícios como redução na quantidade de material da embalagem e otimização no uso de água e energia nos processos produtivos. Foram alcançados os seguintes resultados durante o projeto:

- Redução do consumo de material plástico utilizado nas garrafas de água sem gás sendo: 36% de redução na massa das tampas das garrafas; 25% de redução nas garrafas de 300ml, 3% nas garrafas de 510 ml e 1,5 litros;

- Redução do consumo de material plástico utilizado nas garrafas de água com gás, sendo 25% de redução na massa das tampas das garrafas; 25% de redução nas garrafas de 300 ml; 22% de redução nas garrafas de 510 ml; e 19% na redução das garrafas de 1,5 litros;

- Eliminação de pigmentos das tampas, facilitando a reciclagem e agregando valor na cadeia do pós-consumo;

- Redução no consumo de água, de 26% em São Lourenço e 51% em Petrópolis;

- Redução de consumo de energia, de 9% em São Lourenço;

- Garrafas de Pureza Vital e Petrópolis sem pigmento, facilitando a reciclagem e agregando valor na cadeia pós-consumo;

- Redução de 18% no consumo de material plástico shrink na embalagem;

-Redução de 25% na massa de papelão utilizada na paletização;

-Redução no filme plástico (stretch filme) que envolve os paletes em 31%;

- Rótulo mais fácil de ser removido no pós-consumo, facilitando sua reciclagem;

- Uso do braile nas garrafas para que possam ser identificadas por consumidores com necessidades especiais;

- Capacitação de 70 educadores da rede escolar de São Lourenço que multiplicaram conceitos de educação ambiental.

Toddy Orgânico - O desenvolvimento do Toddy orgânico demandou um amplo estudo da cadeia de valor do produto, que resultou em benefícios que foram além do próprio dele próprio, gerando impactos positivos desde sua produção até o descarte final da embalagem. Os resultados alcançados pelo projeto foram:

- Utilização de 100% de cacau e açúcar orgânicos certificados;

- Uso de material 100% reciclado para a produção de rótulos (75% a 80% pré-consumo e 25% a 30% pós-consumo);

- Uso de matéria-prima certificada pelo FSC - Conselho Brasileiro de Manejo Florestal, para produção do rótulo do produto;

- Menor emissão de gases de efeito estufa;

- Eliminação do uso de queimadas para colheita da cana-de-açúcar utilizada para produção de Toddy Orgânico;

Pampers Total Confort -Este projeto de melhoria teve como base o desenvolvimento de uma fralda com maior capacidade de absorção que utiliza menor quantidade de celulose e que também permite a maior compactação das fraldas nos pacotes com benefícios como redução na quantidade de material de embalagem e otimização do transporte do produto. O projeto alcançou os seguintes resultados:

- Redução de 30% no uso de polpa de celulose;

- Redução de 7,5% no volume pela compactação da embalagem e do produto;

- Redução de 7% no peso total da fralda resultando em menor geração de resíduos pós-consumo;

- Aumento de 25% na eficiência do transporte do produto por sua compactação;

- Redução de 09% no consumo de energia utilizada na produção do produto;

- 10% de redução das emissões de CO2 (devido ao menor uso de energia no processo e transporte).

Fonte: Gazeta do Povo

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