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Curitiba é três vezes mais violenta que São Paulo. E empata com o Rio

1 de mai de 2010

01-05-10
Dados oficiais mostram que já temos 34 homicídios a cada 100 mil habitantes.
São Paulo tem 11. O Rio, 34,8
ALINE PERES E DIEGO RIBEIRO

Curitiba é três vezes mais violenta do que a cidade de São Paulo. De acordo com os dados oficiais apresentados pelo Mapa do Crime, di vul gado pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), a capital paranaense – com uma população estimada em 1,8 milhão de pessoas – registrou 632 homicídios em 2009, o que representa uma taxa de 34 homicídios a cada 100 mil habitantes. A cidade de São Paulo – com 11 milhões de pessoas – atingiu 1.235 homicídios no mesmo ano, segundo o go verno estadual paulista. A média da maior cidade do país é de 11 assassinatos por 100 mil habitantes. A comparação só foi possível agora que a Sesp divulgou os dados oficiais, depois da saída de Roberto Requião (PMDB) do governo.


Quando os crimes da região me tropolitana de Curitiba são so mados aos da capital, os números são ainda mais preocupantes: fo ram 1.523 assassinatos em 2009 – o que, para 3,3 milhões de habitantes, re sulta em 46 homicídios por 100 mil ha bitantes. “A taxa de Curi tiba é bastante elevada em re la ção ao contexto nacional e de mons tra uma de terioração na cidade”, afirma Igná cio Cano, doutor em Socio lo gia e integrante do La bo ra tório de Análise da Violência da Uni ver si da de Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
 
Se comparada com a capital flu minense, que tem uma população menor que São Paulo, o número ainda assusta. Enquanto Curi tiba vive com 34 homicídios/100 mil habitantes, no Rio de Janeiro, cidade sempre criticada pelo do mínio do tráfico de drogas, o índice é de 34,8, quase igual ao da capital do Paraná. Os cariocas registraram uma população de 6,1 milhões de pessoas no ano passado.


Os especialistas garantem: a es calada do crime contra a vida é preo cupante e não pode ser explicada de forma simples. “Existe uma combinação de fatores que po de explicar essa taxa alta. Pri mei ro, Curitiba é uma cidade que tem se desenvolvido muito rápido. Se gundo, a cidade tem uma posição geográfica de passagem no país”, explica o sociólogo e coordenador do programa de mestrado e doutorado em Educação da Ponti fí cia Universidade Católica do Para ná, Lindomar Bonetti.

Na opinião dele, Curitiba está en tre as capitais com infraestrutura mais precária na periferia da ci da de, o que favorece a violência. A so lução para frear a disparada dos ho micídios também é complexa. Os especialistas ouvidos pela Gaze ta do Povo são unânimes: apenas aumentar o efetivo policial não resolve. “Não basta apenas a presença policial. Hoje, a con cepção de segurança não pode descartar a participação dos municípios, principalmente no que diz respeito à prevenção”, enfatiza Tião Santos, integrante do Conselho Nacional de Segurança Pública e coordenador da ONG Viva Rio.

Para Santos, as prefeituras po dem se envolver mais na qualidade de vida do cidadão, desde a me lhoria da moradia, passando pelas atividades para a juventude, iluminação pública, até a criação de um programa que integre de forma mais concreta a guarda municipal com as polícias. “Tem de haver uma ação estratégica combinada. É preciso que os prefeitos assumam o papel que é deles também quando o assunto é prevenção.”

A Sesp, procurada pela reportagem, não quis se pronunciar sobre a comparação dos índices de homicídios.

São Paulo

Segundo Cano, da UFRJ, a queda na taxa de ho micídios na cidade de São Paulo é uma resposta a diversos fatores. Ele lembra que as políticas públicas têm tido contribuições na diminuição dos homicídios. Outro ponto destacado pelo sociólogo é um tanto curioso: a falta de concorrência entre os criminosos na capital pau lista. “A monopolização do crime é um item que impede os conflitos”, explica. Ou seja, o domínio da facção criminosa Primeiro Co man do da Capital (PCC) evita a guerra entre criminosos, contribuindo para baixar as estatísticas de homicídios.

Da Gazeta do Povo

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