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Órfãos da ilha

23 de mai de 2010

23-05-10
Será difícil que o último capítulo da série Lost consiga resolver todos os enigmas acumulados ao longo de seis temporadas. Sem sua dose semanal de mistério, uma legião de fãs fica desamparada

Para além de seus resultados de audiência – ótimos nos primeiros anos, decepcionantes a partir da terceira temporada –, a série Lost é um fenômeno de repercussão. Os mistérios que cercam a ilha do seriado, onde se abrigaram os sobreviventes da queda de um avião que saiu da Austrália com destino aos Estados Unidos, alimentam inúmeros fóruns de fãs na internet, com as mais doidas especulações sobre a chave dos enigmas. Os lostmaníacos discutem cada episódio como quem faz a exegese de um texto sagrado – e até fotos de divulgação como a que aparece acima, em que os heróis estão dispostos em torno de uma mesa à maneira da Santa Ceia, foram microscopicamente examinadas à cata de significados secretos. O criador da série, J.J. Abrams, sempre jurou que sabia exatamente para onde estava conduzindo a história. Os fãs esperam que uma solução abrangente e satisfatória para os muitos mistérios que ele levantou seja dada no último episódio, que será exibido neste domingo nos Estados Unidos e na terça-feira no Brasil, pelo canal pago AXN. Mas, há duas semanas, em um evento pomposo organizado pela rede ABC, em Los Angeles, para celebrar o encerramento do programa, o ator Michael Emerson – que interpreta o manipulador Benjamin Linus – providenciou um choque de realidade. "Teremos pontas soltas em número suficiente para passar o resto da vida tentando entender tudo", disse aos jornalistas presentes.


Repleta de laboratórios subterrâneos, distorções do espaço-tempo, monstros de fumaça e ursos-polares, a ilha tropical de Lost de fato guarda esquisitices demais para explicar em um único episódio final, ainda que com duas horas e meia de duração (e a versão em DVD, que sai em agosto nos Estados Unidos, terá vinte minutos extras). Nesta sexta e última temporada, surgiu um universo paralelo, no qual o avião não caiu. O produtor executivo da série, Carlton Cuse, afirmou ao jornal The New York Times que essa realidade alternativa "vai provocar um debate saudável depois da série" (exatamente: depois da série). Esse volume avassalador de enigmas, somado ao excesso de personagens, tornou-se um problema a partir da terceira temporada – quando se firmou a impressão de que os autores estavam mais perdidos que os sobreviventes do acidente. Com 18 milhões de espectadores nos episódios de estreia nos Estados Unidos, a série teve uma queda brusca de 30% em sua audiência a partir do terceiro ano. Seu final, porém, está muito bem cotado no mercado publicitário americano: um comercial de trinta segundos custará de 850 000 a 950 000 dólares (em um episódio da temporada anterior, o mesmo tempo saía por 210 000 dólares).

Para os fãs brasileiros, a ansiedade de acompanhar a evolução dos enigmas foi mitigada por uma nova forma de ver televisão – pela internet. Sem paciência para esperar a exibição no país, muitos baixavam os episódios de sites piratas logo depois de eles terem ido ao ar nos Estados Unidos. Ainda que irregular na qualidade, a série sem dúvida foi fenomenal no modo como galvanizou a atenção do público em torno de suas esquisitices. Os recém-cancelados Heroes e FlashForward tentaram seguir Lost em sua mistura eclética de elementos – ficção científica, sobrenatural e drama, tudo bem sacudido por uma narrativa que dá saltos no tempo. Mas não chegaram lá. Fringe, também de J.J. Abrams, ainda resiste no ar, mas nem de longe ocasionou a mesma explosão de teorias pela internet – algumas mais criativas (ou doidas, dependendo da perspectiva) do que o próprio roteiro da série (veja três exemplos no quadro ao lado). A aposta da rede americana ABC para substituir Lost é a série No Ordinary Family, sobre uma família que, após um acidente de avião (outro) na Floresta Amazônica, descobre possuir superpoderes. A lacuna que Lost deixa, porém, vai além da televisão: uma legião de fãs ficará órfã dos mistérios da ilha. E, pelo que parece, de solução para eles.
 
A conspiração das teorias



Três explicações populares em discussões de fãs para os mistérios de Lost


Purgatório


Os passageiros morreram em 2004, no acidente do voo 815 da Oceanic Airlines. Todas as temporadas, portanto, se passariam no além


Ponta solta: seis sobreviventes saíram da ilha na quarta temporada e voltaram para o mundo real. Teriam ressuscitado?

Universo paralelo


O personagem conhecido como Homem de Preto (ou Monstro de Fumaça) consegue liberar o eletromagnetismo (!) da ilha, criando o universo paralelo mostrado na sexta temporada


Pontas soltas: todas. Se o que vale é o universo em que o avião não caiu, então nenhum dos mistérios da ilha precisa ser esclarecido?


Todo mundo louco


Tudo é alucinação dos personagens – estariam todos internados em um instituto, para tratamento de esquizofrenia


Pontas soltas: ilusões compartilhadas por mais de uma pessoa são difíceis de verificar. E, ao longo da série, nas várias cenas do passado dos personagens, todos pareciam bem lúcidos
 
Da Veja

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