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Lost inaugurou narrativa na era digital

20 de mai de 2010

20-05-10
Série criou uma mitologia própria e obrigou o espectador a especular para além da trama

Em menos de uma semana, tudo terá terminado. A história que fez que a série “Lost” se tornasse uma das marcas mais fortes da cultura do século 21 chega ao fim no próximo domingo, quando irá ao ar o último episódio da série, chamado apenas de “The End”.



Mas o fim da série só reforça sua importância, que vai muito além da TV. Lost criou uma mitologia própria e obrigou o espectador a especular para além da trama original, buscando links em livros clássicos e na história da religião, da ciência e da filosofia para tentar desvendar seu enigma.

Some isso ao fato de que a série acompanhou a forma como a internet mexeu com a velha mídia e desdobrou-se online, usando a rede como plataforma para divulgar mais especulações. “Lost” não só contava uma história — chamava seu público para participar dela, como em um jogo.

Fora dos Estados Unidos, “Lost” foi ainda mais importante, pois pela primeira vez na história um produto ficcional teve audiência planetária em tempo real, mérito que antes era apenas de transmissões jornalísticas e eventos esportivos. O interesse pela série fez que telespectadores de todo o planeta não esperassem a exibição dos episódios em seus países e buscassem meios — online — para acompanhar a saga simultaneamente ao público de seu país de origem.

“Lost” também inaugura um novo tipo de narrativa, que explora as possibilidades da era digital como nenhum filme, livro ou disco conseguiu fazer até hoje. É o produto que melhor representa como será a cultura do futuro, em que o público pode escolher entre simplesmente acompanhar uma única história ou se entregar a um universo de ramificações infinitas.

A série faz que seus espectadores sejam ativos e busquem aumentar a história a partir de sua própria participação — mesmo que isso signifique apenas especular sobre o que pode acontecer. Parece pouco, mas não é. “O mistério representa possibilidades infinitas”, disse seu criador J.J. Abrams em uma palestra no evento TED (sobre tecnologia, entretenimento e design) em 2007. “Representa esperança, representa potencial... O mistério é um catalizador da imaginação”.
 
 
Saga atinge públicos diversos
 
Não existe alguém que goste só um pouco de "Lost". Ou você não tem ideia do que acontece na ilha maluca ou você é tão amalucado (pela série) quanto a ilha. Isso é só um dos aspectos que tornam a série tão importante.


Misturar o fator humano à narrativa de ficção científica é o grande trunfo da série. É isso que arrebata tantos fãs de tantas personalidades e gostos diferentes. "Lost" tem de viagens no tempo e de bolsões de eletromagnetismo, mas também fala de perdão, confiança, superação, ciência, filosofia e religião. Os produtores já disseram uma vez que "'Lost' é sobre o amor".

"A série é relevante por uma variedade de razões, mas a que eu acho a mais importante é que eles encontraram a maneira perfeita de combinar o mistério e a mitologia da ilha com o elemento humano. Claro que há monstros de fumaça, ursos polares, mortos que voltam da tumba e viagens no tempo, mas por trás de tudo sempre estiverem os conflitos humanos mais fundamentais: fé versus ciência, livre arbítrio versus destino, bem versus mal e talvez o maior de todos eles: redenção", opina Crit Obara, que edita o "Fuck YeahLost.com", um dos mais famosos blogs que publicam material de "Lost" produzido por fãs. Eis outra particularidade: a série criou uma mitologia própria que foi ganhando força à medida em que os fãs percebiam que era possível participar dela, seja fazendo fotomontagens, pôsteres, músicas, mashups de vídeos ou recontextualizando ícones desse universo em outras situações. E essas colaborações vêm de todos os países do mundo.

E aí temos outro fator importante: o fim das barreiras geográficas fez que Lost se tornasse um sucesso internacional com impacto simultâneo. "O programa é um exemplo significativo do que podemos chamar de uma série ‘global’", explica David Thorburn, diretor do Communications Forum do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos EUA. "Isso se reflete não só no elenco multiétnico como também em suas locações. 'Lost' foi feito para ser este tipo de programa - como muitos reality shows -, que não depende das regras de nenhuma cultura nacional. Apesar de ter o ritmo rápido e a elegância audiovisual de um produto norte-americano, seus personagens e sua ampla saga de aventuras pertencem à aldeia global."

"Saber que 'Lost' vai acabar é como ter um amigo que vai embora para a Lua. Eu estou, é claro, ansioso para saber como termina, mas não estou pronto para dizer ‘adeus’", diz Obara. Para esses mesmos fãs, é triste se despedir da série. Mas é também a redenção - tanto de Jack, Locke, Sawyer, Kate e companhia, quanto dos fãs, que por tantos anos acompanharam tão religiosamente a série. Todo mundo merece descansar. Em paz.
 
Agência Estado

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