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Atores se decepcionam com seus personagens ao longo das tramas na TV

13 de abr de 2010

MARIANA TRIGO


A cada escalação de novela, vários atores costumam mergulhar em extensas pesquisas para seus personagens. Muitas vezes, apesar de tanta dedicação, todo o trabalho pode ser em vão. Mesmo com promessas de destaque e tramas ascendentes em seus papéis, alguns intérpretes renomados chegam a passar quase despercebidos em algumas produções. Ou mesmo não conseguem desenvolver a trama proposta pelos autores para seus personagens no início das histórias.

Em Viver a Vida, da Globo, por exemplo, tanto Christine Fernandes quanto Danielle Suzuki se dedicaram por meses para estudar a fundo a relevância da Medicina Paliativa, que deveria ser mais detalhada na trama. Mas mal conseguiram tocar no assunto na história de Manoel Carlos, que já caminha para a reta final. "Minha maior expectativa nessa novela eram os cuidados paliativos que ainda não foram abordados. Mas aprendi que televisão é mesmo o exercício da frustração", lamentou Christine.

Já Giselle Itiê, que está no ar como a personagem-título de Bela, A Feia, na Record, comemora sua protagonista na trama de Gisele Joras como uma estreia. Afinal, na primeira vez que teve o papel feminino principal de uma novela, em "Começar de Novo", a atriz mal conseguiu mostrar seu trabalho como a Júlia, que acabou relegada a segundo plano na história de Antônio Calmon. "Foi muito difícil. Na época, nada deu certo naquele trabalho", lembrou Giselle.

Mais enfurecido ainda ficou Antônio Fagundes em Por Amor. Ao término do folhetim, o ator avisou que jamais voltaria a atuar numa trama de Manoel Carlos, pois havia passado a novela inteira apenas tilintando o gelo de seu uísque e fumando charuto na pele do Atílio. Isso sem falar em Murilo Benício em "Irmãos Coragem". Para o vilão, que prometia ser um dos principais papéis de sua carreira, o ator chegou a quebrar um pedaço do dente e raspar uma sobrancelha. Mas, seu personagem, Juca Cipó, acabou se tornando um bobo no decorrer da trama.

Mais recentemente, na minissérie Cinquentinha, da Globo, aconteceu o inverso: uma atriz decepcionou o autor, Aguinaldo Silva.

Quando toda a escalação da história já estava fechada e as gravações já haviam começado, Marília Pêra, que vivia uma das protagonistas, decidiu sair da produção. A atriz alegou que seu papel deveria ser o de maior destaque na trama.

"O Wolf (Maya) me ligou correndo para assumir a personagem da Marília porque ela tinha desistido. Não questionei porque não cabia a mim, mas tive de recompor toda a personagem. Mudou tudo", observou Betty Lago, que viveu a ex-hippie Rejane na minissérie.

Outra trama que também causou insatisfações em parte do elenco foi Páginas da Vida. Antônio Calloni, que interpretava Gustavo, mal aparecia nas cenas e logo pediu para sair da novela de Manoel Carlos. "Ah, estava cansado e isso já faz parte do passado!", desconversou o ator. Em decorrência da desistência de Calloni na história, Márcia, personagem de Helena Ranaldi - que era mulher do papel de Calloni -, ficou sem função na trama. "Estava no núcleo principal, gravava todos os dias, mas a minha personagem não tinha história. O Maneco não desenvolveu uma trama para ela. Ficou um buraco", lamentou Helena.

Para os veteranos, com mais de 40 anos de carreira, personagens que não fazem parte de alguma ação nas histórias causam uma frustração ainda maior. Foi o que aconteceu com Cecil Thiré em Poder Paralelo, da Record. Na pele do cafajeste Armando, Cecil mal conseguia exercer as maldades do vilão porque aparecia em pouquíssimas cenas. "Reagi muito mal. Achei chato não ter espaço para me espalhar e nem onde mostrar meu trabalho no começo da novela. Gravava muito pouco, apenas umas 10 cenas por semana, que é quase nada", recordou. Para Daniel Dantas, a incerteza do caminho de um personagem na tevê foi vivida com Júlio, um "vilão" que não chegou a ser realmente mau em O Dono do Mundo. "Ele era meio dúbio. Era para ser um vilão. Mas, no final, livraram a cara dele. Ainda preciso fazer um vilãozão na tevê", avaliou Daniel.

Altos e baixos

Pior ainda que uma promessa de destaque não cumprida em um personagem, é um ator estrear em novelas na pele de um protagonista e depois amargar com papéis insignificantes nas tramas seguintes. Depois da escalação para personagens principais, os atores sempre aguardam papéis com o mesmo destaque em seus próximos trabalhos na tevê, o que nem sempre acontece. Esse foi o caso de Mel Lisboa, por exemplo, que estreou na tevê como a audaciosa Anita na minissérie Presença de Anita. "Nos meus papéis seguintes na tevê, nunca mais fiz uma protagonista. Nem tive a chance de fazer outro produto de pleno sucesso na tevê. É difícil saber que, a qualquer minuto, um ator que está lá em cima pode escorregar e cair", analisou Mel.

O mesmo aconteceu com Ana Paula Tabalipa, que um tempo depois de sua vitoriosa estreia na tevê como a Tainá, protagonista de Malhação, foi chamada para protagonizar a mal-sucedida minissérie Luna Caliente. A partir daí, sua carreira nunca mais conseguiu decolar novamente.

"Fiquei muito mal acostumada por ter estreado como protagonista. Isso é muito louco. O ego da gente não entende, é complicado, mas também é um aprendizado", observa Ana Paula.

Instantâneas

Uma das decepções da carreira de Adriana Garambone foi quando interpretou a Débora, em Amor e Intrigas. Segundo a atriz, a personagem era inconsistente e boazinha demais, sem motivos.

Uma das maiores insatisfações de Danielle Suzuki em seus personagens na tevê é observar que seus papéis sempre são caricaturas nipônicas. "Minhas saladas sempre são de kani com pepino, minha lingerie é um quimono e minhas casas nas tramas sempre têm decoração japonesa", lamentou.

Desde Xica da Silva, na extinta Manchete, Adriane Galisteu nunca mais voltou a atuar em uma novela. A atriz havia se encantado com a personagem Clara Caldeira, que deveria ter uma forte história dramática na produção. No entanto, a atriz passou várias cenas apenas aparecendo com os seios de fora numa cachoeira.

Duas Caras, de Aguinaldo Silva, foi motivo de decepção pelo menos para dois atores. Lázaro Ramos e Betty Faria não se conformaram com o destino insosso de seus personagens Evilásio e Bárbara.
 
Do Terra

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