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Marketing via download

23 de abr de 2010

Para agregar valor à marca, empresas apostam em aplicativos para smartphones que oferecem serviço, informação e entretenimento ao consumidor

CINTHIA SCHEFFER

Um pequeno aparelho, que cabe no seu bolso, pode ajudar a calcular a quantidade de bebidas para uma festa, a escolher entre várias cores de gloss, localizar o bar ou a concessionária mais próximos da sua casa, avisar se é hora de renovar o protetor solar e, se você quiser, é capaz até de fazer ligações. Tudo isso graças aos aplicativos, programas criados especialmente para celulares e que viraram febre entre usuários de smartphones. Percebendo isso, publicitários e marqueteiros têm apostado nessas ferramentas como um novo canal de contato com os consumidores.



“Sem dúvida, esse mercado está explodindo. Cada vez mais as pessoas vão baixar aplicativos nos seus celulares e, portanto, cada vez mais empresas vão querer investir nisso.” Marcelo Castelo, diretor de mobile marketing da F.biz

O iTunes, programa da Apple que comercializa os aplicativos, é um exemplo de como a aposta tem crescido entre as empresas. Há uma lista enorme de opções para download, assinadas por empresas dos mais variados segmentos – de livrarias a construtoras, de marcas de cosméticos a redes de fast food ou time de futebol. É só escolher que tipo de utilidade – ou inutilidade – agrada mais.

“Sem dúvida, esse mercado está explodindo. Cada vez mais as pessoas vão baixar aplicativos nos seus celulares e, portanto, cada vez mais empresas vão querer investir nisso”, diz o diretor de mobile marketing da F.biz, Marcelo Castelo. A grande sacada dos programas, segundo Castelo, é que eles ficam gravados no celular – ou seja, a marca está visível sempre no aparelho, que, por sua vez, está as 24 horas do dia nas mãos do consumidor. “Outra vantagem é que muitos recursos podem ser acessados sem internet.”

Para o diretor, a ferramenta agrada os mais variados públicos e conquista o precioso “share of heart” (vínculo afetivo entre cliente e marca) de consumidores de alto poder aquisitivo e antenados com inovação e tecnologia. “Você pode apostar em algo de serviços, de entretenimento, ou até unir as duas coisas, e fazer conteúdos que agradam a todas as idades.”

As funções são as mais variadas. A própria F.biz criou um aplicativo para a Trident que “congelava” a tela do iPhone para que o usuário pudesse escrever ou fazer desenhos nela – numa referência à propaganda que estava no ar. A rede de lojas de artigos esportivos Centauro preferiu apostar na oferta de serviços e combinou a onda dos aplicativos com a das corridas de rua. O “Treinador Centauro” foi lançado no ano passado e oferece orientação de treinamento para quem quer correr ou caminhar. Criado com a ajuda de uma assessoria esportiva, o aplicativo oferece treinos semanais e está instalado hoje em cerca de 10 mil aparelhos – 40% deste número em celulares iPhone.

“O lançamento do aplicativo foi motivado pelo objetivo de aproximar a marca do seu cliente, lhe oferecendo um serviço gratuito e de qualidade”, conta a gerente de marketing da Centauro, Francis Amado. O aplicativo, claro, também traz uma espécie de vitrine de produtos, com opções de tênis e outros artigos para a prática do esporte. “Temos 100% de retorno na interação entre a marca e o cliente. O que, sem dúvida, é um ganho de valor para o grupo. Quanto mais conseguirmos oferecer um serviço de qualidade, que incentive o esporte, isso significará um ganho para o cliente e para a rede, pois estamos potencializando o core do nosso segmento, o esporte.”

Festa portátil

Lançado há pouco mais de um ano, o aplicativo da marca de cerveja Heineken ajuda o usuário a localizar bares que oferecem a marca na sua cidade – combinado com o sistema GPS, ele também pode traçar a rota até eles. O aplicativo também colabora na organização de uma festa – o “Party Makers” faz o cálculo da quantidade de bebida necessária. Para isso, basta você informar o tipo de eventos, onde será a festa, em qual horário e qual a quantidade de homens e mulheres presentes. O programa faz o cálculo de quantas latinhas, garrafas ou barris da bebida serão necessários, e ainda mostra a quantidade ideal de gelo para a festa.

Patrocínio

O custo para fazer um aplicativo, diz o diretor da F.biz, varia conforme a complexidade da ferramenta e também do seu uso – quanto mais plataformas, mais caro. A maioria dos projetos, segundo Castelo, varia entre R$ 30 mil e R$ 100 mil. “Não é um investimento alto, se pensarmos no retorno”, diz. “Outro conceito interessante que também vem crescendo muito é o patrocínio de aplicativos. É o caso da Bohemia, por exemplo, que assina o guia de bares e restaurantes da Veja São Paulo.”
 
Escolha o seu


Os aplicativos fazem de tudo. Escolha o seu:

Nivea

O usuário informa a idade e o tipo de pele, e o programa diz qual produto usar e manda um aviso para lembrá-lo de reaplicar o protetor.

Corinthians

O usuário tem acesso a informações sobre o time e os jogadores, a notícias oficiais e fotos exclusivas de treinos e da concentração. Pelo aplicativo também é possível acompanhar a tabela e os jogos dos campeonatos disputados pelo time. O aplicativo está disponível na App Store por US$ 4,99.

Oakley

A marca de óculos esportivos patrocina um aplicativo voltado para surfistas – ele fornece informações sobre as condições das ondas de todo mundo, temperatura e vento, e dá dicas dos melhores picos de surf.

Cinemark

O aplicativo oficial da rede de cinemas permite a consulta à programação e aos horários das sessões com diversos critérios – cinema mais perto de casa (pelo GPS), filme e preço.

Frommer’s Travel Guide

Aplicativo desenvolvido para mochileiros, ele dá dicas de viagens, tem “calculadora de gorjeta”, check list de itens para levar na mala – lembra o usuário de levar meias limpas, por exemplo – e conversor de moedas (calcula o câmbio de 170 países pelo valor atualizado). O aplicativo é em inglês, mas está disponível no Brasil.

Nestlé

Livro de receitas digital, o aplicativo também permite que o usuário crie uma “lista de compras” dos produtos e encaminhe receitas por e-mail.

Volkswagen
“Think Blue Challenge”

Joguinho educativo e inteligente, em que ganha não o motorista que corre mais, mas o que respeita as leis de trânsito.

Corujão

O aplicativo da concessionária traz uma lista de produtos e também das lojas, possibilitando contato direto com elas.

Gol

Quem instala o aplicativo pode fazer o check in pelo telefone, para partidas de seis aeroportos Congonhas (SP), Guarulhos (SP), Brasília, Confins (MG), Galeão (RJ), Santos Dumont (RJ).

Livrarias Saraiva

O aplicativo dá acesso à loja virtual da rede e mostra os lançamentos de livros, cds, dvds e jogos.

Tecnisa e Gafisa

Os aplicativos das construtoras permitem a escolha de imóveis pelo iPhone, com pesquisa por localidade, preços, e dimensões do imóvel.

Habibs

Com o programa, o usuário tem acesso ao cardápio (com fotos) e pode, inclusive, fazer o pedido pelo Iphone.

Colaborou Alexandre Costa Nascimento

Opinião
Aplicativo inútil é marketing que não cola

Enquanto muitas empresas tentam explorar essa “nova fronteira” do marketing, numa espécie de corrida espacial para dominar o lucrativo território da tecnologia móvel, saíram na frente aquelas que entenderam o óbvio: o iPhone/iPod Touch nada mais é do que uma estação de utilitários que cabe no bolso.


É isso que deve ser entendido pelos marqueteiros e desenvolvedores de softwares para os aparelhos: na prática, o que diferencia o sucesso ou não de um aplicativo não é a simples exposição de uma marca ou produto nessa nova mídia, apenas para mostrar o quanto ela é “cool”, mas sim a funcionalidade e a comodidade que o aplicativo traz para o dia a dia do usuário.Os bancos foram os primeiros a perceber isso e desenvolveram uma gama de aplicativos que permitem ao usuário, por exemplo, pagar as contas do mês do conforto do sofá de casa ou a localizar a agência ou caixa eletrônico mais próximo da localização do usuário.


Na hora de se divertir, dá para consultar a programação do cinema e saber o endereço do bar mais próximo que serve a sua marca de cerveja favorita.

Movido por pura curiosidade, instalei o programa da Centauro que promete ser um “personal trainer de bolso”, o que acabou resultando em minha mais nova investida para vencer o sedentarismo. Além de já ter cumprido as duas primeiras etapas do programa, inconscientemente já divulguei o aplicativo – e consequentemente a própria marca – para meia dúzia de amigos.

Enquanto isso, já instalei e desinstalei outras dezenas de aplicativos – alguns engraçadinhos, outros simplesmente inúteis. Esses são sempre os primeiros a serem apagados da memória; tanto da do aparelho, quanto da do consumidor.
 
Da Gazeta do Povo

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